Muito prazer! Sou eu de cara novinha em folha! Só falta agora o Template mais isso é para frente. Uma mexida aqui outra ali com a ajuda da Ema, minha prima linda. Nós, duas zumbis.., conseguimos nos comunicar pelo msn e ficou redondinho; eu do lado de cá na terra da cajuína cristalina e ela do outro lado de lá na cidade maravilhosa. Aos que visitam esta tribuna espero que gostem da mudança; sempre para melhor. Agora com som: Poetas Andaluces. Se não quiserem ouvir o poema musicado é só clicar no pause da caixinha abaixo da minha fotografia que continua a mesma, aí do lado direito. Xiiii... Já passam cinco minutos das 04:00 da madrugada.. estou exausta. Bom dia,
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
domingo, 12 de agosto de 2007
Vinicius: o Eterno..
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.
Resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo
essa mão que tateia antes de ter
esse medo de ferir tocando
essa forte mão de homem
cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade
essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons
esse sentimento da matéria em repouso
essa angústia da simultaneidade do tempo
essa lenta decomposição poética
em busca de uma só vida
de uma só morte
um só Vinícius.
Resta esse coração queimando
como um círio numa catedral em ruínas
essa tristeza diante do cotidiano
ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada
passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
essa imensa piedade de si mesmo
essa imensa piedade de sua inútil poesia
de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
de pequenos absurdos
essa tola capacidade de rir à toa
esse ridículo desejo de ser útil
e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade,
essa vagueza de quem sabe que tudo já foi,
como será e virá a ser.
E ao mesmo tempo esse desejo de servir
essa contemporaneidade com o amanhã
dos que não tem ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
de transfigurar a realidade
dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é
e essa visão ampla dos acontecimentos
e essa impressionante e desnecessária presciência
e essa memória anterior de mundos inexistentes
e esse heroísmo estático
e essa pequenina luz indecifrável
a que às vezes os poetas tomam por esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
na busca desesperada de alguma porta
quem sabe inexistente
e essa coragem indizível diante do grande medo
e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer
dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,
essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte
esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada,
ela virá me abrir a porta como uma velha amante
sem saber que é a minha mais nova namorada.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
findo..
Amei-te. Imenso. Maior do que digo. Maior do que tudo. Enorme. Fundo. Profundo. Bem mais do que isso. Além das palavras. Maior que a mim mesmo. Maior que o mundo. Sem medida. Sem tamanho. Quase infinito. Quase ilimitado. Grandioso. Fortemente. Com dor. Com doçura. Inflamado. Irrevogável. Mais que isso. Mais que o espaço. Mais que tudo. Mais que muito. Mas bem mais que isso… e passou.. quarta-feira, 8 de agosto de 2007
da nobreza à plebe..
terça-feira, 7 de agosto de 2007
contra a razão..
Julgo que eu seria deveras realizada se trabalhasse, suponho que sim. Diz-se que o trabalho liberta. De tudo. Da gente mesmo.. e nos faz gente grande. Mas por vezes me pego imaginando que: Valeria à pena se matar de trabalhar só se fosse para ficar rica. Ricaça! E se se enricasse escrevendo tanta coisa cretina assim, eu seria a mais rica da blogosfera. Ganharia uma baba aos baldes. Nadaria como o tio patinhas na minha piscina cheia de moedas de ouro com a minha cara encravada nelas. Ai ai ai! Eu estava aqui com os dedos nas teclas a pensar como poderia ser um poquito mais feliz do que já sou. Mais para isso seria preciso fazer uma viagem pelos quatro cantos do mundo, de preferência em hotéis de bacana (aqueles com termas, banhos quentes e medicinais, e em seguida embrulhada em lençóis de mil fios egipícios esperando uma boa massagem anti-estress). Ah! Também teria que ser em vôos na 1° classe., Ah! Também ganhar mais ou menos uns doze milhões na mega-sena (podia até ser dividido com três pessoas premiadas que eu não ficaria triste). E não esquecendo de uma coisa essencial ficaria dois meses fechada para balanço num SPA lá nas Bahamas. Assim rematava minha alegria literalmente com chave de ouro; não necessariamente nessa ordem. É flórida! Pouco entendo de mim.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
da pureza e da paz..
o mais alto
que a minha vista
pudesse alcançar,
loonge..
looonge..
bem looonge..
muito loooonge..,
e um bilhão
de sorrisos
de crianças
espocassem
em meu olhar;
O mundo teria um colorido especial: sem mistura, sem impurezas, genúino, inocente, imaculado, suave, sincero, doce, meigo. Se houvesse, uma vez por ano, uma melodiosa chuva de sorrisos infantis em nossos telhados, o amor se fazia verdadeiro, a tolerância se fazia corriqueira, a harmonia seria nossa visinha mais próxima, e viver seria mais fácil,.. e delicado,.. e agradável,.. e ameno,.. e brando..
e SIMPLES..
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
do amor mais amado...
Pág. 28
"Ocorre-me agora
a pupila minúscula de uma criança.
A sua engenharia
desde o corpo na guerreira pequenez
ao dedo provador da boca.
Ocorre-me esta criança
este monge da franqueza em seu templo de inocência.
Amo-a. Vivo-a.
Voar é poder amar uma criança.
Sonhar-lhe o peso no colo, as mãos acariciantes
sobre a palma da alma.
Voar é tardar a boca
na rosa do rosto de uma criança.
Pronunciar-lhe a ternura,
a seda fresca e pura
da sua infância.
Voar é adormecer o homem
na mão sonhadora
de uma criança."
O livro: "Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave".Edição da Caminho, Lisboa, 1992.O autor: Eduardo White
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
terça-feira, 31 de julho de 2007
Qual hóstia boiante...
..Vens amada, te findas sobre mim. Oh! Tão alvura prateada! Misteriosa, feminina e ondeante, a tremular nas águas dos meus olhos, cercas sem me abraçar, me transvazas o filamento, despes meu desassossego, me acalma só te olhar, me rasgas por dentro, me inoculas o coração, mergulhas olor do mato, da relva e de jasmim, brilhas tuas asas brancas, rompes a escuridão e, sem ferir, desferes a noite a beijar teu sorriso. Laceras teu clarão no manto negro virgem com tua dança sensual. Dá-me de beber, dá-me de comer, dá-me de vestir. Dá-me uma rosa branca. E uma vermelha trazes nos lábios. De preferência uma amapola rubra. Amo as amapolas. Dá-me uma dúzia delas. Cravas minha retina; Oh! Aura de mulher. Perfumas alfazema, rosas, canela. Acenas para mim. Desanuvias meu rosto obscuro com teu pálido cetim. Desembrulhas mansa no meu colo tuas tranças a irradiar óleos essenciais, o elixir dos deuses. Comandas as estrelas, as tuas seguidoras, e casta jorras teu farol nos campos verdejantes, nas cidades, nos prados, nos pastos e currais, em terrenos estéreis e secos, em pântanos e mares, nas calçadas rosadas de Salamanca, nas de pedra-portuguesa em Lisboa, nas de paralelepípedo da minha cidade, nas montanhas, nos vales, nas colinas e cascatas, em piscinas de beiral de mármore e no riachinho do casebre de palha; Oh! Deusa donzela, banhas meu quintal, lavas o índigo da noite e bafejas silvestre em meus pulmões, e prendes meu mirar no teu marfim, e morres em peles coladas, em hálitos queimando murmúrios e promessas, que adentras janelas e velas o sono, e libidinosa serpenteias as frestas das portas, e batizas conversas nas varandas e terreiros, e alumias a areia e a voz das ondas do mar, que pincelas o som das serenatas, que roças os jardins, e selas bocas sôfregas, e divina dá o tom aos cânticos e ladainhas, que cortas os lagos ao fundo, e sustentas uma sinfonia de violinos imaginários, e deságuas teu metal nos rios, e te derramas para curar feridas, que confortas junto aos lençóis, e acompanhas um solitário piano desafinado, e tiras palavra das pedras, que rompes o breu cintilando o éter, e delicada molhas a noite, e prateias cabelos cor de trigo, e acentuas azul nas brancas melenas, que desafias o espaço, e muda acompanhas segredos incólumes que transpõem décadas e milênios, e despes o luto em teus fios clarões, e te alastras hipnotizando os poetas, e esfaqueias sorumbáticos náufragos no negrume do vinho, que me aninhas em teu regaço. Oh! Diva. Diva dama doce como mel. Oh! feiticeira. Tu alumias o palco da existência humana, desumana e etecetera. Que choves nas ostras e caracóis, e que se voltam todos os olhos a venerar-te; Tu. Recíproca: não renegas jamais teus admiradores, e de tão bela purpurina, meu olhar se deita em ti a calar-me as palavras. Pura. Metafórica. Mágica. Perfeita. Radiante. Profana. Profética. Febril. Apaixonada. Apaixonante. Democrática. Universal. Que talvez não exista como linguagem, palavras bordadas, notas musicais a voar, léxico, nexo, fonema, vocábulo, vogal, escrita, verso, expressão, canção, grito, sinfonia, consoante ou sílaba para tão rara beleza, mas que substantivada; Tua luz diamante na garganta arfante amarra-me o grito, e a fala entala.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
dando o tom: bom dia à todos!
Existe algo
mais ético
que abrir um sorriso
largo ou tímido
e desejar um sincero
bom dia
às pessoas?
sábado, 28 de julho de 2007
O que esta imagem te parece?
Nojenta. Vergonhosa. Mixa. Decadente. Cafona. Deplorável. Lamentável. Apelativa. Desrespeitosa. Este é o começo do meu desabafo sobre a campanha publicitária outono-inverno 2007/08, da marca Sisley (Grupo Benetton). Não posso deixar de expressar meu repúdio acerca desta criatividade duzentos zeros à esquerda. Virou bagunça a arte de vender! Será que alavanca as vendas um anúncio que pode estimular o agouro de se consumir drogas, de viciar pessoas? Por que a alusão entre a moda e o pó? Um soco abafou-me o estômago e embrulhei nauseada ao ver esta fotografia. Quanta irresponsabilidade! Duas garotas posando “cheiradas”, doidonas e com pinta de ricas, sim, isto mesmo, pois cocaína é droga para bolso de bacana. E nada mais que deprimente esta sutileza descarada, o pó em cima do cartão de crédito. Vê-se a banalidade, a inversão de valores, a apologia ao crime e a anti-pedagogia. O que uma roupa boa, bem feita, bem talhada e estilosa têm a ver com drogas? Que marketing pé de chinelo e equivocado é este?! Meu amiiiigo um desserviço destes não deve jamais gerar vendas nem seduzir corações. O que esta empresa quer atingir é o sucesso na imprensa, o burburinho? Já não bastam as mensagens anoréxicas em meninas esqueléticas com caras de doentes, anêmicas e tristes desfilando famintas como se fossem a oitava maravilha do mundo? No subtítulo da marca diz: Fashion Junkie. Descalabro é pouco para definir a campanha da Sisley. O curioso é que existe uma equipe envolvida na elaboração desse anúncio e com a mesma reflexão, já que optaram pela duvidosa forma de vender roupas. Com tantas técnicas e dinâmica de grupo como o brainstorm - tempestade de idéias, onde se prepara um debate numa atmosfera tranquila e cool o resultado chocou e melindrou a marca. A sacada ficou de quinta categoria. Demodê. Estamos conquistando um modo de vida mais light, uma geração natureba, com alimentação balanceada, longe dos vícios e perto dos esportes. Quase sem chão, nocauteada fui visitar o Google.com.br a qual me levou para www.wikipedia.org/wiki/Junkie e ao significado. Pois bem, vou ao que interessa. “Junkie: é o termo que normalmente designa o viciado em heroína. Também é usado para viciados em drogas em geral, e até mesmo entusiastas em algum assunto particular (exemplo: Star Wars Junkie - fã de carteirinha de Star Wars). Literatura Junkie são obras que tratam do submundo, do anárquico. Junkie pode significar também uma filosofia de vida, ou seja, um modo diferente de viver, onde as atitudes indicam se a pessoa é um junkie. "Junkie " - também é designado o sujeito que anda largado, com cabelo BLACK, rasgado e sujo. estilosas” A agência insensata que produziu tal publicidade, na verdade deixou subentendido também, a meu ver, que a marca Sisley é uma droga. Se a mensagem foi mostrar que a moda é viciante, não colou, uma vez que comprar moda é comprar saúde.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Conhece-te a ti mesmo..
Às vezes teu silêncio ecoa mais que todas as letras aglutinadas do alfabeto de todas as línguas. Tua mudez é voz a dançar que me cobre com a dor de um parto. Calar para ti é a verborragia mais derramada. Propaga-se com a força de um coral desafinado. Dói-me fundo. Tu dizes-me duras palavras taciturnas. Quantas coisas escutei na tua quietude, e este é o mais ensurdecedor dos sons que possas ter. Tu calas e me pões no meu lugar. Tento arrancar-te as palavras a ferro. Sem sucesso não escuto nenhum ruído mesmo que gutural. Mas soa agudíssimo o som da tua raiva, do teu desprezo, o barulho ensurdecedor quando tentas, sem porquês, arrancar-me do teu coração e me culpabilizar da tua insatisfação. Dócil dou-te tempo ao tempo. Sábio ele: o tempo.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
da paisagem indescritível..
Uma espécie de cidade verticalizada e um dos cenários mais espetaculares do mundo! As casas estão debruçadas sobre as montanhas, e estas abraçadas pelo mar mediterrâneo. A pista é estreita e nela serpenteiam curvas, e os carros buzinam como se fossem nos jogar do penhasco; é todo o jeitão italiano de dirigir. As encostas das cidades de Amalfi, Positano, Ravello, Minori e Maiori reservam uma beleza de tirar o fôlego de qualquer mortal. A somente 56 km de Nápoles e a 280 km de Roma, no sul da Itália, a rota da Costa Amalfitana oferece uma vista circundada por um mar azul anil suntuoso.
domingo, 22 de julho de 2007
do código entre amigos..
Elas saíam de ti a tocar-me: suaves, agridoce, contornadas, aromáticas. Quase consegui segurar o perfume das tuas palavras. Teu timbre metálico e sereno agarrava-me com força a fim de me desenlaçar do vazio e me amparar; disseste que não combinava comigo. Mastigou, ruminou, engoliu em tiras a minha dor. Fizeste de bengala. Tirou-me da escuridão. Levantou-me.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
dos prazeres..
Já dizia bem o gênio "Goethe" (1749-1832), que devíamos todos os dias ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas. Neste momento ouço "Monges Budistas". Me desnudo e me deixo levar -seduzida- pela esplendorosa obra de Rembrandt, "Sansão e Dalila". E calo-me embevecida à um soneto de Antonio Kleber Mathias. Feliz é quem tem sensibilidade, oportunidade e vontade de fazer estes três mandamentos num só dia. Quanto ao que da boca voa, esta deve ser prudente: ouvirei mais; falarei menos.
PRESENÇA
Ardência sem conta, minha alma incendeia,
meu corpo se alinha à emoção do desejo,
meus lábios se aprontam aos múltiplos beijos,
enquanto meu sangue borbulha nas veias!
O encanto da noite remexe a libido,
transforma meu corpo em nudez de emoção,
prepara o momento onde nula é a razão
ditando os domínios do amor mais sentido.
Ao ver-te, o universo se aquieta aos meus ais;
meus olhos rendidos às ânsias lacrimam,
enquanto tua voz murmurosa me enleia.
Então, desejando-te mais, muito mais,
Abraço teu corpo, os sentidos se animam
e o tempo se queda ao prazer que permeia.
QUARENTA SONETOS SEM PECADOS
(Editora Zem - RJ - 2007)
quarta-feira, 18 de julho de 2007
terça-feira, 17 de julho de 2007
O silêncio em silêncio: agoniza
Sinto-me tão só quanto o som solitário do piano no concerto de Chopin n°2, que se engendra nas profundezas de mim a me cortar de norte a sul, de leste a oeste, na carne, na célula, na urina, na alma, no certo, no avesso, no meu recalque e na minha falsa verdade. Sou frágil agora tal pele de bebê no deserto. A famigerada frustração vagueia como uma onda feroz a se alastrar em meu peito sem cerimônia como se gritasse se esgotar. Carente de afeto, choro.. e em queixume abafado clamo a Deus, grávida de fé.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
das cores da terra..
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Que C'est Triste Venise
Alguns passam por aqui mas se mantêm em silêncio, o que é rigorosamente legítimo, outros deixam sua mensagem tão carinhosa que nada mais é que um mimo. Gracias à todos e em especial a Danilo, Celina, Faby, Soninha, Ema e Bill. Deixo-lhes esta bela canção.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
De que serviria gritar?
Da janela do terceiro andar olhava o vulto sumir aos poucos pela rua vazia. A rua descansava um descanso que não era seu, observava os detalhes, as casas ladeadas com cores coloridas, um latido ao longe, os telhados vermelhos, a obra inacabada, as árvores dançando, o vento cortante trazer as vozes da noite. A luz âmbar dos postes escorria pelos vidros das janelas, o dourado artificial da noite prendia seu olhar. Os carros estacionados pelo caminho se aconchegavam nas suas sombras. Queria fazer parte de algo da rua para não se atormentar com os porquês do fim, ansiava esquecer tanta angústia. Sentia inveja da calma madrugada. Sua respiração cada vez mais ofegante embaçava a vidraça. Olhou o vidro úmido e escreveu: Murilo. Observou o nome, beijou, olhou outra vez e riscou um “x” com o dedo indicador. Voltou para a sala pouco iluminada, ligou a vitrola e colocou o Prelúdio de Bach. Deixou a música entrar e sair pelo seu corpo esmagando a dor que furava seus ossos. Aos prantos e em frenesi, rezou e orou a Ave-Maria até adormecer. De manhã se deu conta que dormira na cadeira dura. Era sua penitência, sua redenção. Levantou-se em direção ao banheiro, vomitou sua agonia, tomou uma ducha forte.. Recomeçou do zero.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Verborragia
Ajusto as minhas contas com meu mata-borrão,
sou eu o próprio papel e o próprio tinteiro.
Falo demais, escrevo demais,
me derramo demais..
domingo, 8 de julho de 2007
da chama que se apaga..
Foto: Burgos, Espanha
.. bastou um olhar para dizer todas as palavras caladas e surdas. Deslizou arrastando correntes pela casa sombria. Sentiu as pernas coladas. Soturna catou seus cacos para não deixar nenhum vestígio, queria lavar o chão, ora cúmplice da paixão arrebatadora. Mas esta feneceu como o consumir de uma vela. Como a pilha que se gasta. Chamou o elevador, entrou e se agasalhou no fundo dele, olharam-se como se engolissem suas ruínas. O silêncio negava o sofrimento. A última troca de olhar tinha o som de mil sinetas. Fechou a porta do elevador e caiu no fosso.. Era o fim.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
das pequenas grandes coisas..
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Teresina, dourada, poética..
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