domingo, 27 de maio de 2007

Segunda-feira aqui vou eeeu...

Foto: Milão-Itália, num dia de domingo
Já me dei conta que o domingo em minha vida é o dia internacional da segunda chance, no qual me invade uma força arrebatadora que desata os nós da desmotivação e me leva crer que posso perder para todos menos para eu mesma. No domingo reavalio, cauculo, planejo, me reorganizo para segunda retomar a empreitada: emagrecer. Tantos planos que me cansa reelaborá-los, mas que no fundo é bom e simples, mesmo sendo uma tarefa hercúlea! Na boca há um gôsto amargo de frustração, de montanha-russa e precipício que me corta de norte a sul e de leste a oeste, mas que é anulado pelo sabor cítrico-doce do duplo loop da vitória; esta a qual devo a mim.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Pintura de Marc Chagall

Tua mão
imprime
na minha:
a rota,
a trilha,
a jornada...

sábado, 19 de maio de 2007

Rio Arno, Firenze - Itália

Florença ou Firenze, capital do Renascimento, considerada uma das mais belas cidades do mundo é parada obrigatória para os amantes de arte. A UNESCO estima que 60% das obras mais importantes do mundo estão na Itália sendo que metade em Florença. O estilo renascentista de suas construções -muitas igrejas- também mostra a saúde financeira dessa cidade na idade média.
Pesquei este pequeno e interessante texto abaixo do site viajeaqui.com.br, pelo fato de que quando estou e me percebo num lugar mágico de muitas histórias, levito (também) para fora de mim:
"O grande problema de visitar Florença é este: você pode enlouquecer. É comum turistas serem internados por causa da chamada Síndrome de Stendhal, diagnosticada nos anos 70 pela doutora Graziella Magherini, ex-chefe do departamento de psiquiatria do hospital florentino Santa Maria Nuova. Os sintomas são tontura, taquicardia, confusão mental. Tudo causado por algo a que nós não estamos habituados: excesso de beleza. Stendhal, escritor francês, autor de O Vermelho e o Negro, teve um surto ao entrar na Igreja de Santa Croce, em 1817, onde estão os restos de Michelangelo, Maquiavel e Galileu, e ver os afrescos de Giotto. "Eu estava numa espécie de êxtase", escreveu ele no livro Roma, Nápoles e Florença. "Tudo falava tão vivamente à minha alma. Tive palpitações. A vida se esvaía de mim. Eu caminhava com medo de cair." Isso não é frescura de francês, definitivamente. Florença, com suas ruas estreitas tomadas por lambretas, berço do Renascimento, uma cidade em que palácios e monumentos aparecem a cada esquina, em que cada pedra tem uma história, é o retrato da genialidade humana. No século XV, era o centro do mundo (ou seja, da Europa), atraindo o talento de gente como Leonardo da Vinci, Donatello, Michelangelo, Dante Alighieri, Galileu, Brunelleschi, Boccaccio, Botticelli, Rafael..."

domingo, 13 de maio de 2007

Um feliz dia das Mães, na profundidade do termo

"Herança do Senhor são os filhos;
o fruto do ventre seu galardão." (Salmos, 127:3)
Mãe é o maior exemplo de entrega e perseverança, vela o nosso sono, e se longe, em oração. Conhece verdadeiramente o sentido do amor que Devora, pois vaza sentimentos de bem-querer, zêlo, aconchego. É o único amor verdadeiramente desprovido de vaidade e ego. Goza de boa reputação, não tem estiagem, nem vive de uma estação; É primavera, verão, outono e inverno, e na dose certa embala, nutre e 'puxa a orelha'. E para todas as fases alegra nossos dias numa só palavra: amor incondicional. Conhece a senha mais secreta de cada cria, decodifica os sentimentos singularmente, mesmo os mais guardados. Esta senhora é uma espécie de mulher-maravilha, está ali, junto, obstinada, na peleja amiúde, nos dias melhores e piores. Exercita o perdão e jamais deixa de acreditar no seu rebento. Quando uma mãe funciona bem, funciona bem a sua família e por sua vez toda a sociedade. Este é o amor que nada pede e nada espera senão a felicidade dos filhos. Amor que de si mesmo satisfeito vive!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Entardecer em Barcelona-Es

.. no romper da madrugada;

sou uma folha ao vento..

sexta-feira, 4 de maio de 2007

..das chuvas prateadas

Ao ligar o celular as 6:00 da matina fui abençoada com esta bela mensagem, um presente da minha gêmea camarada de fé, Celina: que generosa alegrou minha manhã. Fui arrancada pelo sono deste luar, que de tão formoso é irreal. É mana, a lua choveu na tua alma, mexeu com os teus sentidos.

"Selena, tvz vc durma agora.. Eu na varanda me rendo a Lua q franca ultrapassa o limite do bom senso.. transvaza, lambe, deita, lava, alveja meu quintal, a piscina, matiza o verde, dá animo aos meus sonhos e me alcovita... Estamos simbióticas, numa transa sensual, doce, louca, silvestre e profana.. Completamente num drive-in despretenciosamente inventada por mim e cinemado por ela.."..."Pq ñ paras relógio? Breve o sol vai nascer; Detenha as horas te peço!.."

Celina Nery

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Zuzu Angel - O filme!

Assistindo dia desses em casa o dvd fui invadida por um nó na garganta, um soluço melodioso acompanhou a música do Chico, ao ponto de minhas lágrimas clamarem ser secadas, sentiam compaixão de mim, mas caudalosas me obedeciam e rolavam em meu rosto a morrer no chão. A história me deixou encantada e ao mesmo tempo revoltada, que ao meu ver, não foi contada realmente como aconteceu. Creio que houve muito mais sofrimento que não foi dito. Me identifiquei com o amor incondicional de Zuzu. Só algumas mães tem o privilégio dessa experiência. Obrigada Deus por este condão.
"Angélica" - Miltinho / Chico Buarque - 1977
Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho só queria embalar meu filho que mora na escuridão do mar Quem é essa mulher que canta sempre esse lamento só queria lembrar o tormento que fez o meu filho suspirar Quem é essa mulher que canta sempre o mesmo arranjo só queria agasalhar meu anjo e deixar seu corpo descansar Quem é essa mulher que canta como dobra um sino queria cantar por meu menino que ele já não pode mais cantar

segunda-feira, 30 de abril de 2007

dos afinados..

..“Tá combinado”, música de Caê, se arrastava na vitrola e dentro deles. A luz oblíqua da tarde baixava vestindo a noite de escarlate. Era setembro e o céu fervia ardente, mas eles seguiam adiante serenos e na mesma freqüência. Cúmplices aconchegavam-se nos próprios braços; sem arroubos, sem cobranças, mas entoados. Leves se permitiam sorver cada gole de paixão que aos poucos dava forma ao amor. Sem promessas acreditavam na vastidão da conquista modelada pelo afeto, todavia sem perder de vista as naus, estas autorizavam o ir e vir. E na filosofia de que ancorar seria preciso; sentiam saudades um do outro. Então, equilibristas eram sós, mas não estavam sós. E o amor era a semente brotando...

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Lubricidade...

Nunca uma voz me intrigou tanto como a de Alejandro Sanz. Caliente, madura e jovial. Quando canta me causa a sensação de frescor do relento, de vapor da brisa úmida, de um chafariz vibrando uma sonoridade rouca sensual, é como se suas cordas vocais lançasse o SOM levemente molhado matando a sede dos ouvidos, é como se uma cachoeira de sons se fundisse às gotículas do ar e banhasse minha alma. Ouvindo dia desses "Cuando nadie me ve", uma de suas belas canções fiquei a pensar o que aquele timbre -quente- dizia; imaginei, meditei, matutei, na verdade eu até já sabia as características, porém não conseguia desenhá-las em palavras, entonces abri o meu eco interior e cheguei a conclusão: esta é sem dúvida a mais linda voz masculina da atualidade. Suas músicas são como a explosão de luzes e cores da primavera, como a umidade nas pétalas das flores e folhas que regem um lindo jardim espanhol, como noite de lua cheia que clareia o palco dos amantes. Sua voz aconchegante envolve como uma chuva miúda que refresca um dia de muito calor, mas também pode ser um cobertor que acolhe e aquece num dia invernal.

terça-feira, 24 de abril de 2007

das idas e vindas..

Mãe e filha devorando Paris em cinco dias:
Metrô, cidade, pontos turísticos;
metrô, cidade, homem parado com olhar vazio;
metrô, cidade, metrô, homem parado com olhos de chuva;
cidade, metrô, pontos turísticos, metrô;
homem estranho/olhar perdido/parado no mesmo canto da estação.
Medo.
Seria terrorista, ou só um "louco" no vão da cidade louca?

sexta-feira, 20 de abril de 2007

das estações..

Num poente qualquer da Astúrias-Es ... uma luz dormente,
Na capital da Cantábria, Santander-Es
... lá vai a noiva,

terça-feira, 17 de abril de 2007

Das percepções..

Torre de Hécules - A Coruña - Espanha ... visão embriagante, Torre de Hércules - A Coruña - Espanha ... um passeio hipnótico, Torre de Hércules - A Coruña - Espanha ... em noite de amantes, Torre de Hércules - A coruña - Espanha ... numa madrugada agonizante, Região da GALÍCIA: em galego, A Coruña; em espanhol, La Coruña. Abraçada pelo oceano atlântico, têm dois mil anos de origem contados um a um pela Torre de Hércules; farol incansável (em atividade) e legendário que incendiou sua luz para descobrir a cidade que muitos haviam imaginado. É um lugar de mar onde se pode imaginar, sonhar, viajar ao passado por uns momentos e reviver sensações perdidas com sua história, mitos e lendas mas especialmente voltar ao presente para conhecê-la em toda sua emoção. Localiza-se na Europa ocidental e noroeste da Península Ibérica. Limita-se ao Leste com (Lugo, Astúrias e Castela-Leon); a Oeste (Oceano Atlântico); ao Norte (Mar Cantábrico); e ao Sul (Pontevedra-Es, e Portugal). Fala-se que a Galícia foi onde os gregos situaram o fim do Mundo Antigo, e onde Homero dizia que o sol completa a sua volta para depois ressurgir por oriente com o novo dia. Os galegos, gostam de dizer que "Cada casa é um mundo, que cada pedra tem uma história e que em cada erva há um espaço natural." Entonces, eis um país com um fundo inesgotável de experiências.
"Diante deste mar bravo, nós, os galegos, sentimos toda a Europa às nossas costas. Aqui se encontram as falésias mais altas do continente, mas também a união fecunda de mar e terra que são as rias, essas singulares formações onde o oceano sossega-se e penetra na terra para fazer surgir a vida, que flui pelas ruas das povoações marinheiras e pelas infinitas areias das praias do litoral. É aqui, entre as reviravoltas que marcam a geografia barroca de nossa ribeira, onde vivemos a maior parte dos galegos, lançando para o mar mil e um sabores, uma riqueza de peixes e mariscos, que as águas atlânticas transformam nos mais saborosos do mundo"
http://www.turgalicia.es "Encheram-nos o copo com toda a água do Mar para compor um cock-tail de horizontes" Manuel Antonio (1900-1929), poeta

domingo, 15 de abril de 2007

da indolência..

Amava sua criança e declarava em palavras este amor, mas como pai tradicional, não interagia. Negligenciou cada ano de vida do seu garotinho, quiçá sem perceber: colocou a família em terceiro plano; Só não compreendia porque a adolescência engolia seu filho tão amado.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

à margem..

Ela se nutria entre a realidade e a ficção que a excluía de viver.
Exausta, andava sobre brasas arrastando correntes;
Era personagem da sua própria fábula.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Alentejo - Portugal

Um poema é como uma delgada borboleta amarela que pousa, levíssima, em meu ombro; É quando antevejo meus passos escorrendo pela areia; É quando o frescor da brisa me faz engolir garrafadas da feliz felicidade;
É quando leio Alberto Caeiro e o mundo se transforma num caleidoscópio;
É quando desnudo minha voz na poesia Memórias, de Drumond;
É quando deito meus olhos nos teus e não se faz necessário palavras;
É quando na madrugada num dia de insônia o latir de um cão me desconcerta;
É quando mastigo, como, carcomo, rumino, em êxtase o por-do-sol que incendeia o céu num mosaico de cores, e grito baixinho: Sol, sou tua.
É quando me enterro dentro de mim e minha alma sai pelos poros a lamber minha aura;
É o carrossel de emoções que vivi ao olhar meus filhos pela primeira vez..

terça-feira, 10 de abril de 2007

..das lembranças

Silêncio era o instante que invadia quando tu soltavas minha mão para passar a marcha do carro...

domingo, 8 de abril de 2007

Sinais..

Hoje eu gostaria de ter muito mais que os cinco sentidos,
queria fazer de mim o sexto sentido.
Hoje eu queria ser o quinto elemento,
mais que as formas complexas do fogo, da água, da terra e do ar.
Queria me vestir do verbo,
me despir purpurina e explodir-me,
delicada,
em bomba nuclear de amor.
Hoje eu precisava tocar os cachos de Cristo...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Num domingo nublado de ruas quietas

... suplicava ajuda à surda família mas nada adiantava. Esperou a madrugada de lua cheia, vestiu o casaco e rumou exilada para o mar do norte. No raiar da manhã um vazio pungente tomou conta dos espaços. Frenéticos catavam os cacos que ela deixou...

domingo, 1 de abril de 2007

Parque do Retiro, Madrid-Es

Meus desejos são pássaros de liberdade inviolável, vão e vêm 'se' e 'quando' bem entendem para além da lua, vão tocar o céu. Viajar preencheu o vazio e me fez acordar para a vida. Senti uma alegria orgásmica que ultrapassa para além do alcance das minhas palavras. Cada lugar conhecido foi como um parto de mim mesma, ficou um pedaço meu. Prometo que farei um diário das minhas viagens. Aguardem.

terça-feira, 27 de março de 2007

Na ordem da foto: Selena e Celina

.... Num lugar qualquer do Piauí, numa cidadezinha pequenina e bucólica, certo final de tarde, quando o sol em brasa se escondia por trás dos morros, ejaculou uma diva lua estonteante que alumiava o breu daquele lugar. Os sons da escuridão surgiu, e o silêncio se misturou aos sons da noite, e pirilampos, muitos deles brilhavam em pontos luminosos para o deleite da garotinha que esperava sôfrega o querido avô Oliveiros retornar de Teresina. De noitinha, alegre e entusiasmado chegou em seu cavalo Alazão contando a boa nova:
“-Menina, senta aquí em meu colo, quero falar-te, eu vi tua irmã, tu se parece com ela, é cara de uma e o focinho da outra. Eu a vi. Acredita! Ela têm os teus olhos vivos e tua sagacidade. A vi ontem, e a presenteei uma moeda para comprar doce. Ela vive na casa do teu pai, lá em Teresina.”
A garota ficou atônita mais logo dispersou, tinha uns três, quatro anos no máximo, lânguida de vestidinho floral plissado, sentada no chão a brincar com suas bonecas e a penteá-las ao ponto de quebrar os cabelos. Alisava as melenas a fazer cachos em Rebeca, nome dado à boneca de louça, e em Dora trançava seus negros cabelos de lã, esta era uma linda boneca de pano tão fofinha que parecia um travesseiro, feita com singular carinho pelas mãos de sua avó Nenêm. Embalava-se sob o olhar cuidadoso do avô e flutuava no balanço de corda e pneu acalentando-as, cada uma em sua hora.
“-Vovô, Dora é muito trabalhosa e a Rebeca é mansa, dou de comer e de beber e as coloco para dormir mais a teimosa dessa boneca de pano não dorme! Vou deixá-la de castigo sentada todo o dia, se teimar de novo a coloco de ponta a cabeça.”
"-Ora bolas, tu dependuras a boneca em teu pescoço pelos cabelos, como pode se zangar porque ela não dorme? Trata com carinho, mima, só assim os 'zói' dela murcham, e não a segura pelos cabelos que dói! Se tu sabes que dói, porquê fazes assim?”
Bastou uma vez para a garota aprender, fez o que o avô aconselhou e a teimosa dormiu.
No dia seguinte, todos reunidos no terreiro, sentados, areia fria serpenteava sob os pés, luarada, violão choroso, cantigas a voar, palmas com vibracao de chuva, o avô conversava rodeado a contar seus causos, depois cantava, e em seguida voltou-se à menina e lançou o verbo:
"-Vi! Olhei no início da semana tua irmã. Tu queres saber, Celene? Ela se chama Celina. Vocês são gêmeas!"
E a garota sem entender de verdade continuava a mexer suas panelinhas e dar água e bolinhas de pão à Rebeca e Dora:
“-Bebam e comam minhas filhas, estou mandando, ou querem ficar doentes e amarelas?!”
Oliveiros retrucava: "-Tu queres conhecê-la?"
E a menina não entendia, mas ouvia, selecionava o que queria ouvir e logo deletava. Evasiva, não decodificava a informação de seu avô. Aquelas palavras não significavam nada, não pensava nada, eram palavras ao vento. Talvez achasse que era uma irmã de desenho animado, talvez tirada de um sonho, de revista em quadrinhos ou quiçá fosse até uma boneca.. Bastante perspicaz aprendeu a ler aos quatro anos, por incentivo de seu avô que a deu um livro de presente. Logo foi ao primeiro jardim, porém estava atrapalhando os outros alunos sendo chamada de louca pela professora; enquanto os coleguinhas usavam guache e engatinhavam nas vogais, ela escrevia frases e textos em forma de carta para sua amada tia Didi que morava em Recife. Apoderava-se da lousa atrapalhando a aula seguir. Chamaram então a mãe, que foi orientada a levá-la a uma escola sendo aceita como ouvinte. Assistia as aulas, embora não seria matriculada, ainda era novinha. Todavia se saindo uma das melhores alunas da sala, seus pais foram orientados a regularizar a matrícula. Naquela ocasião, aos seis anos, a menina descobriu-se diferente, a ficha começou a cair, havia outra familia e mesmo assim não entendia direito. Ao ser questionada por uma professora o fato de ser filha da Lurdinha e na sua certidão ter nomes de outros pais, enfureceu-se. Chamou a professora de mentirosa, chorou, gritou, bradou, xingou contumaz a tarde inteira, amaldiçoou tudo que tinha pernas e se mexia, berrou, sacudiu as pernas com calundú até ficar sem ar, cansou de tanto bramir e dormiu na carteira lambuzada de lágrimas. Adormeceu susurrando:
“-Não. Eu usó tenho os meus pais, Lurdinha e Zezé.”
Só então daí se conscientizou ter outra familia com outros irmãos e uma irmã gêmea...
E daquela maneira sutil, lúdica e bem humorada, na mais tenra idade, meu avô começou a abrir minhas janelas sobre ser adotada, e de alguma forma floresceu mesmo que inconsciente a vontade de conhecer minha irmã gêmea. E na singeleza atos se guardam e se juram: no cuidado, na proteção, na lealdade, na afeição dedicada e constante. Sentimentos não. Não se pode prometer sentimentos toda uma vida. Meu avô, meu ídolo: foi sábio. Percebeu a necessidade de me contar leve e sem dor. Dessa forma esta história se apresentou para mim como um livro que eu não havia -ainda- lido, um vulcão adormecido. Mas quando o li reconheci a maravilhosa catástrofe que este causou em minha vida.
Celina, me distanciei de nossa bonita história para contá-la neste espaço e neste dia. Enxerguei a menina de ontem e a desenhei às teclas. Hoje completamos mais uma primavera, temos uma bela flora em nossa caminhada, não gozamos a meninice juntas e tanta coisa que nem dá para listar.., mais vai aí algumas: olhar as formigas carregar as folhas, as cores e texturas da areia, das plantas e do firmamento, o por-do-sol, os raios costurando o céu, os eclipses, os banhos de chuva e de lagoa, a primeira queda de bicicleta, o terror do poço, bater a colher no prato de esmalte branco, subir em árvores, as cantigas de rodas, andar de carroça, beber leite-mugido na mesma caneca, a troca dos primeiros dentes, as doenças pueris, as brincadeiras dessa fase que provoca reações como euforia, alegria, medo, fome e regozijo, e principalmente o cheiro da infância. Perdemos muita coisa e não há como negar. Na contramão dos nosssos desejos fomos afastadas. Não vingou! Eu nunca me identifiquei com tal atitude de nossos pais. Ainda penso que foi uma crueldade. Nos reencontramos na pré-adolescência e resgatamos o que ainda poderia ser prazeroso. E é! Dia desses assisti na novela passada, num tribunal sobre a guarda de filhos, uma desembargadora fazer a observação acerca o fato de gêmeos terem uma ligação que nem a ciência conseguiu ainda explicar. Não raro por serem duas pessoas diferentes em uma segunda pele. E quer saber? Devia ser proibido separar irmãos, especialmente os gêmeos!
besos besos besos irmã querida, e para nós: love, "money no bolso, saúde e sucesso.."

domingo, 25 de março de 2007

Espanha, terra dos extremos e do contraste

Terra de Federico Garcia Lorca, um dos escritores mais lidos da Espanha depois de Cervantes. Granada é cheia de história mas também moderna e vibrante, um contínuo ir e vir de pessoas passeando pelas "calles" e por suas bucólicas praças. Definitivamente sedutora, uma autêntica tentação para qualquer viajante; desperta os sentidos e impele a andar a pé desbravando os mistérios que guarda. É linda e encantadora! Mais do que eu e minha vã filosofia esperava, magia e lenda andam de mãos dadas como se entrassem dentro de um livro. Localizada na região de Andaluzia, aos pés da Serra Nevada (um Édem de colinas cobertas de neve), remete a uma atmosfera dos contos de mil e uma noites. A verdade é que respira-se um ar tão árabe que chega-se a pensar, seguramente, que nao é a Espanha. É também detentora de um dos palácios marroquinos mais belos, conservados e talvez o mais antigo dos que restam no planeta. Considerado por muitos de seus visitantes uma das 10 maravilhas do mundo, uma tentativa islâmica de criar o Céu na terra, Los Palácios de La Alhambra recebe cerca de 8000 visitantes por dia, com várias salas, e em anexo Los Jardines del Generalife que são jardins suntuosos e exuberantes repleto de fontes minuciosamente desenhado com a mais deliciosa estética de flora, capaz de satisfazer ao olhar mais exigente. Fala-se na verdade que estes jardins têm sido objeto de inspiraçao aos artistas e poetas. Os jardins do palácio -ou dos palácios- têm várias salas diferentes, foi construído em 1319 e até hoje conserva grande parte de sua forma original. Comenta-se que a origem de Granada -última capital de Andaluzia- parece misteriosa, muitos de seus rincões estão envoltos em lendas e fábulas em que convertem este lugar a "mágico". Se diz além disso que há teorias incríveis, desde remontar a sua criaçao ao bíblico Noé, passando por Hércules, até distintas civilizaçoes mediterrâneas da antiguidade. Sendo assim umas das primeiras cidades da península Ibérica. É pitoresco e belo! Fascínio total! Incita a paixão.
Adoro coisas que me remetem às profundezas do passado, cai maravilhosamente ao meu estado de espírito, me deixa abençoada, sei lá, me sinto de alguma forma adentrando outras vidas. A encantadora Granada "lançou-me" a vários pontos de vista sobre várias coisas, ou talvez, a um outro despertar. Conheci e vivênciei coisas diferentes, sou a mesma; e no entanto, outra. Viajar é um composto inebriante de nós e do lugar. Já que a cultura é híbrida, está sempre em movimento e em constante mudança.... ....e sob o sono dos séculos vive Granada!!!
Granada - Espanha

segunda-feira, 19 de março de 2007

Até quando?

Olá caros amigos e visitantes deste canto nem tanto ególatra, um tanto egóico, totalmente paranóico, mais ou menos egocêntrico, por vezes débil, talvez noiado, quiçá narcisista... Sim. Tudo junto somado e, noves fora, nada! Um blog é também "ego" inflado, de alguma forma assim é, mas também comichão por escrever e vomitar o que se gosta ou desgosta, ou aprecia; ou não. Hoje este completa seis ''6'' meses da esfera virtual. Nesse caso posso afirmar que a cada dia que passa me deparo com a parte chata, a preguiça. Ai, que preguiça postar um pastelão mexicano vez ou outra. Pára a nave que eu quero descer, me poupem de mim mesma! Todavia viver é um melodrama novelístico real, uma roleta russa. Vou relativizar: mil contas a pagar, conviver, sobreviver, educar-se, deseducar-se, coexistir, SER ou não ser. Elementar. Sim., e mudando de pato para ganso -como já falei antes- penso em DECRETAR FALÊNCIA múltiplas de meus sentimentos quase diários. Para frente as malas batem. Perco a pose mais não os amigos. Obrigada à todas as entradas. Dêem-me uma visitinha! Entonces para comemorar os seis meses deste drama, pergunto à vocês: De onde nasce o amor? E a paixão vem de onde? Qual a diferença entre os dois?

sábado, 17 de março de 2007

haja palavras para o que não digo..

Há palavras que nos beijam, que é porto de abrigo. Nuas., decodificadas., constroem. Palavras que o vento leva, e traz. Palavras que perfumam, têm cheiro de mar e de colo de mãe. Palavras com sabor de aconchego. Aladas não se perdem; encontram-se na virtude. Palavras no silêncio dum olhar. Palavras que correm descontroladas em forma de lágrima, ou de gestos.. Palavras que mordem docemente, benditas não culpam os dentes nem a língua. Palavras que ajudam a acordar. Palavras em forma de boca, de beijos e de mimos. O caminho seja o das boas palavras. Demo-lhes asas. São tantas..

sexta-feira, 16 de março de 2007

Da ternura

Cacá, uma dos três amores da minha vida.

Líquida como água.

Forte e frágil.

O olhar transparente,

sereno,

direto,

legítimo.

O riso franco,

exato,

explosivo,

contagiante.

.. e simples.,

quarta-feira, 14 de março de 2007

ferida que não se farta

.. O amor foi tão grande que dobrou o entardecer em oito pedaços de papel seda carmim. Rutilante brasas inflamadas contra cortinas violetas do vão a cortar nuvens acesas do mosaico de cores que jazia.. e abriu-se a escuridão.. Quedaram num beijo alucinógeno; mãos nervosas, bocas ferozes, línguas aderentes. Alimentavam-se de verbos lançados, aspiravam ópio viciados de paixão. Bebiam seus próprios líquidos. Venciam a noite com o vinho quente e úmido dos enlouquecidos.., e em fatias cortaram a madrugada como a um bolo recheado de amados e amantes, deliciaram-se com seus odores até o romper do crepúsculo.. impregnaram-se de goles intensos de lascívia, embriagados, invadidos!.. depois morreram..

Eu

Simplesmente Selena