sábado, 28 de junho de 2008

Capturando a Sensibilidade...

Algumas das tantas mulheres da família Nery, encontro na casa da Socorra (à esquerda na escada), em Brasília-DFEscrevo para registrar uma situação, um sentimento, refutar algo, ou até para desovar meus demônios à decantar-me para melhor. Não abro mão, serei uma pessoa melhor, e isso já me faz contente. Mas claro!, representar o testemunho, fazer valer um momento agradável é de alguma forma ter o poder de congelar o tempo: nos sorrisos, nas emoções, nos olhares, na afetividade, nos gestos, enfim... Não há nada mais especial quando registramos uma reunião alegre, as palavras ora faladas antes mesmo da fotografia, os pensamentos do instante, o contentamento cuspindo as nossas caras. É mágico e delicioso!, porque a aliança da família nos torna, a cada dia, fortificados. Pela clara razão de que me inspiro quando bem estou, mas, também, porque a felicidade é tanta que não dou conta de consumi-la; tenho que dividir com os meus. A honestidade cristalizada na ocasião do click, desmente qualquer argumento que contradiga as sensações, liberando a intensidade delas, se ruins ou boas, a fim de nunca cairem no esquecimento. Afinal, o prazer evidenciado na foto acima, a festa de nós para nós, deliberadamente, assinala algo que quis escrever. Simples assim.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

do turista cheio de emoção...

Momento registrado em frente ao rio Sena: Ari, Sela, Caty, Celina. Texto escrito dia 05/10/2007, aeroporto Charles de Gaulle, Paris.
Estamos no aeroporto Charles de Gaulle, passa das onze da manhã e o avião já vai embarcar, daqui a duas horas estaremos em Roma com a graça de Deus. Não tive uma noite muito boa. Ontem jantei com meus companheiros de viagem “peru ao curry”, estava delicioso e ninguém sentiu nada demais, apenas meu fígado que não correspondeu ao paladar de todos. Tive enjôo e dor de estômago toda a madrugada, foi terrível. Rezei muito pedindo a graça de não adoecer: todas as viagens de avião estavam devidamente pagas e os hotéis pagos e marcados, nenhum contratempo poderia ocorrer; seria o fim do nosso sonho. E pelo sim e pelo não, nada é mais satisfatório quando tudo começa bem e termina ainda melhor. Au revoir Paris... a Cidade Eterna nos espera!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sedutor e Afrodisíaco

No mundo da perfumaria a palavra MUSK é sinônimo de desejo, magia e sedução cuja essência era originada da secreção das glândulas sexuais de uma espécie de cervo do Tibet; hoje esta substância é sintética e fabricada em laboratório. Mas o que mais me cativa ao olor do MUSK é sua calidez, sua doçura, seu secretismo, algo quase sanguíneo. Por onde o vento o leva jamais conseguirá ficar despercebido, do qual passeia pela brisa e emite vapores enfeitiçadores capazes de persuadir o olfato mais exigente. Seu aroma é atemporal, incita a atração física, é como se os feromônios das fêmeas pululassem. Por isso é considerado um perfume erótico e inesquecível.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

D E S E J O S... S O N H O S...

Na esperança dos objetivos, prometemos... eu prometo, tu prometes, eles prometem... promessas são afirmações solenes de alentos para dias melhores que buscamos.

Aprendi a sonhar com os pés no chão e os olhos voltados para realidade. Quando eu era menina imaginava que as brancas nuvens eram feitas de algodão doce gigante que daria para suavizar a vida de todas as pessoas da Terra. E, na minha ingenuidade, realmente acreditei que aquela planetária almofada além de ser muito fofa e macia era o alimento enviado por Deus especialmente às criancinhas do universo. Me visualisava pulando, correndo, dançando, saltando, deslizando como se fosse um imenso escorrega-bundas numa maratona de deleite, depois escolhia a nuvem mais fofa e adoçava a boca com mel; se tivesse sede espremia uma outra nuvem saciando-a com gotas fresquinhas.

Imaginar sempre foi meu ócio criativo, somos reis da imaginação. Meu amigo imaginário em todo tempo foi meu pensamento a engendrar a minha facilidade de criação, de sensações, de me remetar à lugares infinitamente surreais; produto dos meus devaneios pueris.

E eu pensava.., e pensava: ah!, meu Deus: se eu pudesse nascer muitas Selenas para aproveitar mais e melhor e.., subir ao sol, correr pela lua, descansar numa nuvem docinha, cavalgar ao vento, caminhar sobre as águas até fundir-me com o horizonte e o mar, colher várias estrelas coloridas e encher meu baú secreto, mergulhar de cabeça no firmamento, nadar pelo ar, me afogar no éter, pular amarelinha no rabo de um cometa, deslizar nas cortinas violetas do lusco-fusco, ouvir um piano tocar "Prélude à l'amour" em plena lua cheia, e voar pelo céu sem eira nem beira, navegando a braçadas entre as estrelas com o olhar grudado no pisca-pisca que explodia no obscuro... e as mil borboletas que voavam em meu estômago também se divertiam comigo.

Ah!, se eu me embriagasse do vinho úmido da noite, mas depois tomasse banho nas nuances do pôr-do-sol até me besuntar de jovialidade.. ah!, e se eu pudesse usar a palavra e o diálogo como único fim para o consenso, e construir a paz de mim para o outro e à todas as famílias do planeta, comungando no respeito e no aperfeiçoamento da humanidade.., ah!, se eu fosse capaz de exercitar a solidariedade e a compaixão na busca por uma sociedade igualitária tornando infecundo toda maldade e egoísmo do homem para o homem. Por não ser capaz de voltar-me novamente criança, hoje eu preferia a sanidade dos loucos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

do vírus da arrogância

Pessoas arrogantes são: extremamente rigorosas com outras pessoas, inflam o peito tomado de soberba, deliram em um palavrear cheio de gala com pontos cegos de repugnância, vivem como se estivessem acima do bem e do mal. No canto da boca, o escárnio displicente. Nos olhos, o esplendor estufado de astúcia e individualismo. São figurinhas vaidosas, inseguras e quiméricas.

domingo, 8 de junho de 2008

Cara de sucupira têm em tudo lugar...

Gentêee... de vero, se tem uma coisa que abomino é brasileiro babaca que vai morar fora do seu país e posa de bala. Na minha primeira viagem para a Europa, mochilei por tudo quanto foi cidadezinha da Espanha com minha filha Catarina, e numa dessas paragens fincamos pé em um bar de Granada para comer algo, estávamos cheias de fome e mortas de cansaço.
Havia uma apresentação bem próxima de capoeira e decidimos ficar por ali mesmo assistindo. Vários brasileiros cantavam na maior festa, um deles era uma mulherzinha mal-educada pulando mais que macaco, só faltava a melancia na cabeça e pior, praticamente em cima da nós. A cadeira ia pra-la-e-pra-cá e aquilo me irritava!, eu estava subindo pelas tamancas já com a lavadeira "roxa" cá dentro sentindo que faltava pouco pra armar o maior barraco, mas Cacá disse para eu me controlar que isso era vergonhoso.
Então tá, obedeci minha filha e fiquei só urubuservando a abestalhada, porém na espreita. Continuamos nosso papo sem olhar para a espetaculosa, fazíamos de conta que ela era invisível, e mesmo famintas ficamos sem mais a menor vontade de continuar ali. Naquela ocasião, a doidivanas percebendo que não alimentamos sua baixaria, virou-se para nós e perguntou pra minha filha de onde éramos? Catarina respondeu e se voltou à mim sem encompridar conversa. A "gata páia" não se deu por vencida, falava em cima da gente quase cuspindo, eu conseguia sentir seu hálito de saburra de cigarro misturado ao álcool; putz!, que horror...
Na verdade ela queria tirar onda com nossa cara a fim de aparecer para os outros do "tipinho" dela que lá também estavam. Eram uns dez. Sabe.., aquelas pessoas que saem de seu país para trabalhar de piniqueiras e dão pinta de bacana dizendo que forão estudar na Suiça, Inglaterra, Espanha etc?, pois é!, é bem por aí.
Sim, continuando... A "tipinha" não contente se voltou novamente e perguntou para Cacá se podia sentar-se conosco? Ah!, mas aí não prestou não. Cacá esbugalhou os olhos e olhou bem dentro da tela larga dela e disse em alto e bom som: “Não, querida!, aqui conosco nesta mesa só assentam-se espanhóis!”. Caraaacoles!, foi no talo das veentass. A comadre ficou a ver navios com a cara se contorcendo toda sem graça, depois saiu com o rabo entra as pernas, puxou a cadeira da mesa em que antes estava e quase se afundou, em seguida ficou imersa em pensamentos fazendo bolinhas de uma fumaça tão fedorenta que mais parecia um dragão fêmea. Foi hilário!
É nessas horas que se deve botar alguém em seu devido lugar, e quando esse alguém é nosso co-patriota para lá de mal-educado: ah!, aí sim, a vontade cresce na velocidade da luz. Fiquei curiosa e perguntei a Catarina o porquê dela dizer que ali só podia sentar espanhóis? Cacá que não é boba nem nada, percebendo que a turma em que a "marrdita" se encontrava havia homens e mulheres (brasileiros); daí a tal idéia, uma grande sacada. Nada tinha a ver com preconceito, mas com ficar tranquila sem sermos importunadas. E assim, em uma tacada de mestre minha filha com muita classe mandou a desavisada dar um passeio bem basiquinho sem direito a volta.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

da compaixão...

Uma das coisas que mais aprecio é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Exatamente como o outro se sente.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Apenas para dizer tão só o que sou...

Naquilo em que acredito, sou firme. Nas minhas convicções, persistente. Relutante aos meus princípios. Ignorante vez em quando. Tola quase sempre. Nunca arrogante. Nunca soberba. Sem meias medidas. Aprendendo, crendo, descrendo, sendo. Afinando-me com o equilíbrio.

Leal aos amores e amigos, enquanto me forem. Em minha vida dormem tantas outras. Agradeço por tê-las. Sou de sentimentos fortes. Quando me zango não sei dissimular. Cedo quase sempre. Treino ser senhora de mim para ser assertiva, é que sou mais impulsiva do quão preferível, e isso não é bom. Tenho trabalhado o autocontrole a fim de me conhecer melhor, é um processo de auto-conhecimento. Ponderar é um exercício não tão difícil.

Detesto sentir qualquer tipo de dor. Tenho medo da morte e nem me alongo sobre este assunto. Não minto, omito; quando escondo, é para o bem. Às vezes minha coragem é burra, e minha covardia não me basta. Questiono. Questiono-me. Sou uma pensante nata. Costumo acreditar nas pessoas. Me acho bem menos inteligente do que gostaria, e bem mais burra do que acho que poderia.

Se razoável, negocio; se cega, teorizo. Com o discurso afiado. Uma palestrante frustrada. Comecei a fazer terapia, às vezes um puxão de orelha tem grande valia. Quando quero, quero muito. Vim do pó, de tudo e nada. Sou feita de barro e lama. Também do mar e da chuva, e do vento que me sopra as palavras; da mistura do passado, presente e futuro, de ser nada e tudo... Nooossa Senhoora!, aonde é que vou parar com tanto crise de ego?!

Na verdade, sou uma ariana roxa, e o signo de Áries é energia: nitroglicerina pura. Audaciosa, não aprecio imposições; amo a liberdade e a justiça, esta é uma das tantas características deste signo. O fogo faz parte da minha personalidade, ele tem o poder de aquecer, porém em excesso destrói. Devo conciliar minhas qualidades às minhas deficiências e conseguir me adaptar perante as situações que a vida oferece. Será o pulo do gato à meu sucesso pessoal.

terça-feira, 3 de junho de 2008

de (re)acreditar-se...

Cinco anos em catarse, quixotesca forma de me (re)inventar. Há anos sou uma grande piada. Sem coragem pra arregaçar as mangas e emagrecer. Sem reputação de mim mesma, auto-comiserativa, burra, empacada. Presa num corpo que não é meu, que não sou eu, que nunca se misturou a mim de verdade. Vazia e cheia de mim. De saco cheio, saturada, impregnada, na lata, até a tampa de mim. Estática. Sem cor. Até então separada por uma linha tênue: a do desleixo e a do resgate, mas a segunda me salva do abismo, me estende a mão. E na contramão de minha forma de viver enxergo ao longe uma luz flutuando no fim do túnel; ainda densa, porém já consigo decodificá-la. Aos poucos ela me encandeia, mas seu brilho me atrai. Parece uma força maior. Que me puxa e me quer. É a luz da esperança que me segura no colo e acaricia minha autoestima. Então fico sonhando com o cansaço da subida, mas principalmente com o repouso do cansaço, e com um mundo novo repleto de novas possibilidades. Daí planejo. Vejo portas se abrindo. Sinto o vento entrando e os raios claros do dia nascendo. E moinhos de vento. O objetivo se achegando. O foco na reta se aproximando. Então chove em mim. Chove para mim. São lágrimas de renovação. É o ciclo de mim. Estou mais segura, terapiada na dor, mas também na alegria. Confiante, persigo meus passos. Não os perco de vista. Lá estou e vou eu... seguindo adiante na vigília constante de mim. Laçando o professor tempo com laços da fé, são laços apertados, cada dia devagar, um após o outro. Serena... segurando-me no colo e desta vez sem desistir. Dando-me crédito outra vez. Em busca do meu ajuste de contas. Agora sou eu comigo. Na tarefa árdua de cumprir os atos que ora faço. Prometo-me. Enfim. Juro-me.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

V I A J A R A J A I V

Preciso me retirar daqui de casa por uns dias, uma semana pelo menos. Férias... da minha rotina, do meu banheiro. Ir para um lugar neutro. Fazer reparo na carenagem, ficar de papo pro ar, olhar gente que não vejo há tempos, limpar a vista, absolutamente. É simplista, porém por agora é o que me atrai.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Olá meu pessoal, voltei ! ! !

Tenho necessidade de cuspir as palavras, elas salivam nos meus dedos. Não posso deixar que elas me amarrem, senão ancoro no porto como a carcaça de um velho nau abandonado. Gosto de fazer viajar os sons à deriva, aprecio seu crescer colorido e opulento respingando no papel ao ponto de não poder mais alcançar a fala. As palavras me purgam. Calar a escrita me faz árida, rota, débil e posso ricamente margear pela loucura. Apetece-me palavrar na horizontal, é onde liberto minhas feras: sem mastro, sem rumo, sem receio, sem corte; mas emudecer diante da vida e me varrer para debaixo do tapete, nunca!

domingo, 11 de maio de 2008

Pedro, Palloma, Catarina: meus rebentos

São eles três a vibração nas minhas veias, a brisa em minha nuca, meu doce desassossego, minha voz, meu grito, meu caminhar, minha alegria, meu choro, meu recuo, a minha cantiga de viver.
São eles que me dão a sensação que tenho muito mais do que imaginei, muito mais do que preciso. Obrigada por serem meus filhos, obrigada por me escolherem como mãe, porque não há benção maior que poder acompanhar os filhos crescerem saudáveis com a vida a sorrir para eles.
Um dia os aqueci, hoje eles me aquecem. Um dia em mim foram casulo, hoje beijam a boca da liberdade... e serão grandes, tão grandes que se verão pequenos. E quanto mais tiverem a consciência de sua pequenez, maiores serão em generosidade, e diante do PAI. E eu, ah!, eu serei parte de suas grandezas, parte de seus valores.
São eles a crisálida a voar para além de mim... são eles os vapores dos meus ontens... e que Deus conserve os seus sorrisos meus filhos... por muitos, e muitos, e muitos anos afins...
Feliz dia das mães para...
as minhas mães, pois duas delas tenho.
as minhas irmãs que mães são...
as mães do coração.
as que estréiam como mãe.
enfim.., à todas as mães do mundo.

Mãe e filhos... da relação que nasce, renasce e se transforma... da perfeita união que não se esgota... que não tem fim.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Qual o caminho que devo seguir?

Gatinho amigo, que caminho devo seguir? – pergunta Alice.

Para onde você quer ir? – indaga o velho gato.

Para qualquer lugar... – acrescenta Alice.

Ah... então qualquer caminho serve!!! – ironiza o velho gato.

(Lewis Carroll -Alice no Pais das Maravilhas)

Para os dias de hoje não é nada fácil levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima; abrir o próprio negócio exige foco, pesquisa de mercado, conhecimento, estratégia e transpiração. Mas a verdade é que: se escolhemos algo, perdemos outro. Toda escolha implica em uma perda, seja ela qual for, neste caso qual critério se deve seguir? Decidi investigar. Fui ler tudo sobre como colocar meu próprio negócio, daí me daparei com a reportagem sobre os "Quinze erros comuns do primeiro negócio", confesso que o que li achei um tanto desanimador, mas se é uma questão de planejamento pode-se ter sucesso, sim; e por que não! Pelo sim, pelo não os prós e os contras fazem parte de todo o pacote: às favas com o medo. Então, que custa se jogar? Não se pensa em colocar o primeiro negócio para não dar certo, ao contrário, ousar é acima de tudo acreditar e, para quem é persistente, o céu é o limite. A sorte poderá ser lançada... quem não arrisca, não petisca.

domingo, 4 de maio de 2008

Das marcas...

Marcas na parede branca que contam a história da infância de um filho descobrindo a arte, difere-se da marca funda na parede branca cravada por objeto lançado no ápice da ira.

Marcas na pele assinando o parto que deu a luz à uma vida contrasta a marca da cicatriz de dor que pode trazer a morte, não no todo, mas a morte de sentimentos.

A mesma marca que carimba a sabedoria do nosso existir, as rugas, podem ser interpretadas como a aproximação do fim, ou o até o (re)viver, depende do estado de espírito do qual se esteja.

Marcas internas de um amor passado que deixou alegria, destoam com as nódoas de amores mal resolvidos que entorpecem o coração e a alma.

As marcas das pegadas em sentido da chegada que escancara o riso, não parecem nem de longe com o rastro da partida que traz lágrimas aos olhos.

Os momentos alegres e tristes, bons e ruins que vivemos, firmam o enredo da narrativa de cada um e nos tornam prudentes. Das marcas que contam e cantam a evolução: a minha, a sua, a nossa biografia. No entanto, façamos das nossas impressivas particularidades uma bela canção a cunhar nossa história e a de outros de maneira otimista.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Eu vos declaro: Esposa e Vírgula

O texto abaixo foi escrito por minha filha Palloma, com humor e ironia: qualidade bastante positiva para a escrita. Uma sátira interessante a fim de pontuar a minha "mania" quanto ao uso da vírgula. Adorei.
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Bom dia, (vírgula)
Venho aqui narrar um casamento interessante entre minha mãe, Selena, e a vírgula, pontuação da língua portuguesa por qual ela tem grande adoração.
Tudo começou no ano de 2006, numa manhã quente de setembro, em Teresina; minha genitora resolveu criar um blog para escrever sobre tudo que lhe fosse de vontade. Desde o início percebi tal esmero que tinha com os textos que publicava. Era cuidadosa tanto com o conteúdo quanto com a pontuação. Porém notava também seu grande apego com a Senhora Dona Vírgula, e sempre que minha mãe vinha até mim pedir que revisasse seus textos eu limava no mínimo 99% das tais vírgulas dos escritos. Mas nem assim consegui livrá-la do vício das vírgulas. Foi aí que algo me surpreendeu, minha matriarca propôs em casamento a Senhora Dona Vírgula, e esta a aceitou como sua legítima esposa.
Chegou o tão esperado dia. Como testemunha tínhamos o Teclado, o juíz era a Internet e o ENTER era o Sim da questão. O teclado atendia todas as vontades da noiva, a Internet, legitimadora da união ali estava a esperar, mas antes que fosse confirmado com o temido ENTER, veio uma caixa de mensagens da tela do computador perguntando se os noivos tinham certeza do ato. Então entrei em ação, vim acompanhada da coerência textual e gritei:
- Pare agora o casamento!!! Como pode mãe se casar com a vírgula? Com tantos outros pretendentes mais interessantes! E o ponto final? E a exclamação? E os dois pontos? E o charme das reticências?!!
Assim a coerência textual não coube em si e bradou:
- E eu? Case-se comigo!!! Eu sou a escolha mais acertada. Afinal eu sou a junção de toda a pontuação na hora certa. Escolha-me!
Neste momento, minha mãe muito assustada, porém convencida dos argumentos da coerência, trocou-a com a vírgula e apertou o ENTER sem pestanejar.
E assim foram felizes para todo o sempre!
FIM.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

M I S T E R I O S A S

Ora, ora.. veja só! Tenho verdadeira curiosidade de saber como as muçulmanas percebem o mundo para além do que vivem e de como se vestem. Gostaria de poder conversar com elas e entender sua realidade: se caminham em cima das regras, se são realmente oprimidas pelo islã como são mostradas à nós pela televisão, se têm menos regalias e direitos que os homens, como são consideradas perante a sociedade, se são afetuosas, se beijam a boca de seus maridos, se gritam ou são contidas, se discutem as relações, se trabalham fora de casa, e como funcionam dentro da família nuclear? Nas minhas viagens, vira e mexe, me deparo por todos os cantos com várias delas debaixo de toda essa parafernália, sua vestimenta e pior, não paro de observá-las, chamam minha atenção também pelo modo de olhar, harmonizam os olhos por entre o lenço a fim de alcançar o mundo. É interessante demais! E por falar em olhos.., que olhar! Brilhante, invoca minha atenção, vou de encontro a ele e fixo tentando compreendê-lo: é tão profundo como distante; cada olhar conta uma história, mas pena que não consigo decifrar.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A biografia de uma vida vazia

Era sábado. Que coisa louca meu Deus!, eu estava mais dormindo que cochilando e do nada abri os olhos, a voz que me balançou vinha do programa “Altas Horas” e dizia assim:

“Pensando em fazer, pensando em fazer, se passaram 20 anos... Não consegui, não consegui, se passaram 20 anos... Ai, por que não fiz?, ai, por que não fiz?, se passaram 20 anos... Assim, se passaram 60 anos... Essa é a biografia de uma vida vazia.”

Rapidamente digitei tal mensagem em meu celular. E então daí refleti: conscientemente sinto-me assim, um sentimento íntimo me avisa o que se passa comigo, é que estou quase da maneira que fala o provérbio tibetano. As palavras de Lama Michel Rinpoche abriu meu olho mental a fim de cutucar minha consciência, e creio que conseguiu. Mesmo que eu esteja dormindo meu inconsciente está alerta, ele nunca me trai; vive em pé de guerra com minha frágil consciência. Depois de um tempo pensando, discretamente percebi que o sábio e simples ensinamento do monge não só me incomodou, mas pontiagudo martelou-me o juízo. E doeu os ouvidos da razão, doeu muito.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Piano em chamas

Destaco aqui no blog a fim de fazer as pessoas pensarem. Um famoso pianista de jazz lá do Japão, "presenteou" tal espetáculo para quinhentas pessoas em uma praia tendo como pano de fundo o mar e o pôr-do-sol. Creio eu, que os elementos da natureza não viram graça alguma. Mas qual a graça desse acontecimento mesmo, há poesia nisso? Segundo o dono do instrumento era a de se despedir, pois não mais usava-o e assim demonstrar sua "paixão ardente". É, cada doido com suas manias. Por que então não o doou? Já pensou se para toda paixão ardente nos despedíssemos ateando fogo!, xiii.. era carvão de gente pra todo lado. Mas vale tudo quando a questão é aparecer, né!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Uh la lá... Paris.. Bon voyage..

Paris. Era nossa derradeira noite naquela beleza de cidade. Mais ou menos vinte e uma horas e o perfume do jantar povoava o apartamento do quarto andar. O vinho dançando na taça me fazia salivar. Sentamos à mesa e saboreamos o especial 'Peru ao curry' que nossos anfitriões ofereceram. Brindamos o momento que se espalhava em nossa volta dizendo em coro ao casal de amigos: "Caramba, que delícia!, vocês cozinham muito bem!". Eles agradeceram, deram um leve sorriso e suspiraram. E em companhia agradável comi, conversei e sorri. Comentávamos entre um gole e outro acerca dos lugares marcantes da cidade luz. Cada um com sua subjetividade sobre os pontos altos e baixos, mas todos de alguma forma satisfeitos, afinal era a charmosa Paris dos poetas e do amor. A noite estava muito fria e mesmo assim não resisti, abri a porta de vidro que dava para a sacada e um vento cortante me transpassou. Naquela ocasião não me importei com os dez graus Celsius, espreitei-me na mureta a me abstrair e "parisiar" pela última vez. Segurei a noite guardando a paisagem como em um quadro gigante: a arquitetura deslumbrante, a iluminação difusa, os carros, os pouquíssimos transeuntes, as folhas secas no chão da rua e os jardins banhados de laranja. Enfim pensei: a felicidade me dá medo.

domingo, 20 de abril de 2008

O QUE ESTA IMAGEM TE DIZ?

Ontem e hoje eu passei o dia com a macaca! Aliás, esses últimos quinze dias. Só vejo palhaçada, teatro, show pirotécnico e exibicionismo nesta TV de merda. A casa caiu, mas não entendo o fato do casal “coisa ruim” ainda não estarem no xilindró. Ao que tudo indica eles mataram a pequena Isabella Nardoni, e com requintes de crueldade. Tento caucular a dor e a agonia de quem perde um filho, e pior ainda quando o motivo é torpe e desumano. Imagino também como deve ser horrível passar por uma circunstância de rapto ou assalto a mão armada. A verdade é que vivemos em um mundo preenchido pelo mal. Ponto. Entretanto a única coisa que tenho certeza é que nada será igual para nenhuma dessas famílias, nunca mais, por mais que o tempo passe, ou teimosamente queira e tente. Não se pode mudar o que houve, nem a dor do presente que será passado e depois futuro, nem a eternidade... Uma úlcera difícil de cicatrizar para além dos anos, sucessivamente... na sola do sapato, a cada pisar uma lembrança, o silêncio dos sapatos martelando a vida de quem os carrega, a falta de quem se foi e vários corações rachados que deixou. O fato desses assassinos não estarem presos coloca o dedo na maior ferida: o Sistema falho. Diz-se que o testemunho é a prostituta das provas, nesse caso então a polícia que trate logo de minar os dois emocionalmente ao ponto de se entregarem. Eu tenho para mim que a Justiça de tão cega não se deixa ver os olhos. Cadê!? A deusa que segura uma balança representando a igualdade para todos, sendo eles pobres ou ricos?! Será mesmo que rico vai preso no nosso país? Não se pode negar o óbvio, Alexandre e Ana Jatobá estão apavorados em perder o direito de ir e vir, mas incoerentes tiraram o livre arbítrio de uma criança vivê-lo; pai e madrasta decidiram o destino da linda pequena de apenas cinco anos. Gozado não? Então o que me dizem? Não quis acreditar que pudesse ter sido eles, pois tamanha aberração da natureza foge a nossa compreensão. Isto é, toda uma anomalia que vêm acontecendo no mundo, toda uma fenda podre de uma sociedade precária, sem valores, sem amor, sem fé, sem DEUS, sem nada. Chega, chega de ver tanta maldade no mundo e não tentar frear. Basta! O Brasil exige uma resposta. E a voz do povo é a voz de Deus.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

branco e preto

Penso que escrever me torna mais atenta às descobertas. Observo melhor as coisas miúdas que antes passaria totalmente despercebida. Se eu já era desde sempre obcecada por detalhes, agora então nem se fala, meu campo de visão draga tudo que há na minha frente: uma flor, um gesto, um sorriso colorindo o dia, uma frase, uma canção, uma tela vazia, a chuva, o sol, a rua, a nossa efemeridade...
Não é onipotência nem presunção, tampouco soberba, ao contrário, é que me apetece perceber a vida acontecendo, e a vida são as pessoas, o Todo. Tudo que cruza meu caminho em frente e verso e difuso, tenho bondosos olhos espiões. Se enxergo, eu vejo. Nada a mim se apaga ou escapa. Uma soma de possibilidades que vou pintando em uma série de palavras, com o intuito de refrigerar meu espírito, e do mesmo modo o de quem lê. Nasce por vezes tão espontaneamente que o monitor me sorrir. Meus dedos robustos tomam conta de mim, eles parem caracteres e não me obedecem mesmo se eu estiver apática. A inspiração me vence. Não tenho como recusar o que meus dedos pedem. Como este texto de agora, por exemplo: surgiu de um momento, um papear sobre a simplicidade de existir e o mistério que é Deus, do qual muitas vezes cegamos diante das maravilhas que Ele faz, e ainda assim não aprendemos a agradecer.
Alguns escritos surgem de coisas banais e logo publico, já outros com teor mais eloqüente e mais elaborado que considero até bons são entocados na gaveta. Tem intensidade maior, mas ficam lá encostados; entretanto humildes, esperam ser solicitados. Suponho que a gaveta assegura o decantar da escrita e o tempo que passa se encarrega de depurar qualquer exagero. Possivelmente eu sinta mais segurança se guardados estão. Quem sabe um dia quando desejar publicá-los se tornem mais interessantes. A verdade é que nem eu mesma sei por que escolho um texto ao outro. Vai entender!

terça-feira, 15 de abril de 2008

das coisas comezinhas...

Teresina, ontem de madrugada, muita chuva, friozinho. Noite boa. Lembranças. De fondue de chocolate com frutas. De queijo, presunto, pão italiano, tomate seco, vinho do Porto. O sangue. Doce. O cristal. A mão. Vermelho-vivo. A troca. A paixão. A pele clara. O batom escarlate. O olhar negro. Delineado. A sedução. O rosto rijo. As promessas. O amor. A dança. A amizade. Um bom restaurante em Beagá. Mesa posta. Colorida. O prazer. A cumplicidade. A alegria. De viver. O momento. Comer com os olhos, engolir o aroma, apreciar com a língua. Saudade. Da serra. Da música. Daquele cheiro. Do lugar que aprendi a amar. Das linhas gerais. Das Minas. São tantas. Vontade. De rever. Amigos da faculdade. Gostaria. Agora. Poder. Viajar. Passear. Palavrear. Com direito a cafezinho e pão de queijo. E brindar. Tin tin.

domingo, 13 de abril de 2008

dos pecados e das virtudes..

PECADOS E VIRTUDES, palavras antagônicas, porém intrínsecas ao ser humano. Somos pecadores ambulantes, caminhamos eternamente com essa dualidade virtuosa e pecaminosa, vez ou outra lutando internamente para o bem contrapor o mal. Tais conflitos latentes inerentes a nossa existência e que nos faz decidir o que queremos seguir.

Assistindo ao filme ''O caçador de Pipas'', vi um sábio homem dizer para um rapaz a seguinte frase: ''Meu jovem, no mundo apenas existe um pecado: o roubo, todos os outros são derivados deste. Como: quem mata alguém rouba-lhe a vida e o direito de ser mãe, pai, filho, esposa... Quem mente rouba de alguém a verdade...''. Neste momento pausei o filme e refleti sobre isto. Afinal, todos nós roubamos algo ou alguém de alguma maneira? Eu sou uma fraude? Você também? Somos predadores em potenciais da nossa própria sorte? E por aí segui tarde adentro voltando-me como a uma fita que se rebobina, e, com o filme em pausa e tantos questionamentos sobre a frase daquele senhor, me permeti fazer muitas ponderações.

No entanto, após um momento de introspecção eu me trouxe de volta à realidade, deixando meus pensamentos imersos lá no lugar deles, e então falei em voz alta: uai!, mas pecado vêm atrelado ao perdão, não é mesmo? Decerto, é a mais pura verdade, cujo perdão é pai da transgressão e de alguma forma estão acorrentados um ao outro. Todo pecado necessita do perdão; para todo perdão ocorreu um pecado. Se o dolo sai de dentro de nós, pecamos só pelo fato de sermos imperfeitos, porém se arrependidos nos tornamos, lutamos pela conquista do tão ansiado perdão.

Primeiro nossa consciência faz juízo de nós mesmos, e em punição acende dentro das nossas cabeças a lâmpada do remorso. Examinamos nosso eu por si mesmo. E dói. Como ferida aberta. É a assinatura do nosso arrependimento. Daí recorremos a infinita misericórdia de Deus, que perdoa se há verdade no sentimento. Esta é a Lei Perfeita que aprendi, todavia que ainda hoje acredito.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Curioso..

Quando estou lendo um livro e deixo-o no criado mudo para retomar meus afazeres, tenho a nítida impressão que a história está lá acontecendo, mas ao mesmo tempo todo aquele universo espera por mim. Sei lá, sinto que faço parte de alguma forma, que adentro as páginas e observo o desenrolar da ficção, porém despercebida. Considero a escrita e o livro as maiores invenções do ser humano. Poder ler, imaginar e se transportar ao cenário é viajar sem precisar ir ao lugar. São os livros que me livram do cativeiro. Preciso deles para manter minha sanidade mental. Eles curam-me. Salvam-me. Do mundo. De mim.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

MOSAICO DO CRIME; Imprensa e TV atrapalham

Penso que a imprensa está exagerando acerca do caso Isabella Nardoni. Foi uma tragédia para todo o país, um crime brutal, coisa para bárbaros, foi sim. Mas não cabe sofismas, este episódio sinistro deve ser criteriosamente levado em conta várias possibilidades, inclusive a de que os principais suspeitos possam ser inocentes, também. Se realmente forem os culpados, que paguem sua dívida. Todavia a opinião nacional não é lei e nem é profeta. Sendo então de total responsabilidade da polícia e da justiça. Não se pode fabricar "culpados", deve haver um maior detalhamento pericial, sigiloso e absoluto, sem fazer desse infortúnio, um SHOW. Posso estar enganada e ser até leviana, mas tenho percebido pirotecnia em alguns programas de TV, aproveitam tal barbaridade como gancho para subir no IBOPE, e isto é falta de ética. Chega a ser imoral! Usam imagens da mãe da menina, a bombardeiam de perguntas, a seguem na missa de sétimo dia da filha, valorizam a presença dos curiosos na porta de sua casa: a negam a dignidade de sofrer e chorar o seu luto. Tantos flashes para Ana Carolina, entretanto, ela precisa ficar só, ver a ficha cair, exprimir sua tristeza, sentir raiva, saudade, lavar a alma, enfim.. Tanto é que a vi dizendo que a filha não gostaria que ela sofresse. Talvez fuja desse sentimento por medo de encarar de frente a lesão que a dor causou, do qual não seria salutar. O ser humano carece de momentos seus, de se moer se houver necessidade, de questionar a maldade do mundo e das pessoas, de gritar, de sangrar. Mas mesmo que ela se permitisse ficar sozinha nesse momento, não poderia; roubamos-lhe o direito. E de tanto assistir ao espetáculo em cima do coracão partido dessa mãe, nasce em mim a vontade de bradar um: PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER! E que fique bem claro, Ana Carolina não é uma celebridade.

Eu

Simplesmente Selena