terça-feira, 26 de agosto de 2008

R E F L E X Ã O Ã X E L F E R

Todos nós, indivíduos que somos, carecemos ser ouvidos e principalmente ser compreendidos ao menos por uma pessoa que seja. Respeitando essa comunicação direta e sincera partilhamos as sensações com o outro de forma verdadeira. Largamos as máscaras, não representamos papéis e escancaramos nosso EU, tal as cartas do baralho na mesa, mas em algum momento qualquer podemos camuflar algo por medo de nos mostrar de peito aberto. Receamos expor nosso "kit avariado" de carga emocional por pura insegurança, do qual estando na avaliação do outro - talvez - ele não acolha-nos como gostaríamos. Ainda assim, sabemos que para nosso desenvolver precisamos da total entrega: sem entremeios, sem vácuo ou fronteiriças. Todavia, para prosperarmos esta conexão padecemos da sustentabilidade da relação em si. Dessa forma, vamos compondo harmoniosamente a orquestra nos laços de afeto e na interdependência do Eu com o Outro. APERFEIÇOAR-SE é a bola da vez e é o que queremos para nós. De toda maneira, a intimidade se fará valer na dinâmica do dia-a-dia, bem como CO-existir, que é a parte principal do processo...

Entretanto, o que ansiamos é nos tornar pessoas melhores a cada raiar da manhã... desvinculamos de nós os núcleos engessados e nem de longe somos hoje o que fomos há um, cinco, dez ou vinte anos. Aquele de outrora ficou lá para trás e tirou as devidas lições. Caiu... Levantou... Aprendeu... É leviano atribuir juízo de valor ao outro como a mesma pessoa que atua hoje ou que ainda pode vir a SER. Portanto, podemos estar melhores ou piores, depende da opção que escolhermos, considerando que a mudança age em nós como um organismo vivo. E na verdade o que queremos é uma comunicação honesta e dual: sem manobras ou refúgios, sem armadura ou prêmio acariciador do ego, pelo simples motivo que visitar a realidade é recheado de prazeres.

Nascemos SÓS e morremos SÓS, necessitamos crescer SÓS e consequentemente (CON)vivendo com o outro a fim de alcançar o fiel feedback. Se preciso for, pedirei desculpas e desculparei, chorarei e reconciliarei, afinal não estou acima do bem e do mal. E que todos os seres humanos não gastem este tempo fugaz travando o perdão e a própria evolução, pois evoluir é equacionar desacertos para acertos. Enfim... a caminho em direção à maturidade e à compreensão das coisas. Não tem outro atalho que não esse. Porquê viver é precioso demais e é a grandiosa oportunidade para sermos felizes... pois sem demora, a vida se dará como um sopro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

E viva a terapia do vômito...

Há dias estou a concluir a teoria sobre os blogues que saturam o espaço cibernético, e ainda assim reluto em manter o meu querido “osonodosol” na horizontalidade da tela. Na verdade já me afeiçoei a ele, o que me dá em larga escala a peninha danada de me desligar daqui. Desde criança me identifiquei em contar ao papel minhas emoções. Apetecia-me desenhar minhas sensações, meus momentos, medos e alegrias. E então, sangrar todo sentimento que de mim tomava conta.
Todavia, percebo que muitos que demarcam o espaço na blogosfera não passam de ególatras cheios de si. Dependendo do meu estado de espírito posso de alguma forma me encaixar nesse contexto. Ora bolas, e por que não? A blogosfera é uma contenda incansável de ego grande. Digo isso porque, também, ao me derramar ativo meu botão massageador do culto a mim mesma. Identifico que preenche minha vaidade com mimos e, não raro, censuro-me em seguida, porém, ainda assim, não consigo deixar de carimbar minha marca de: escrever, escrever e escrever; talvez esta seja a forma mais terapêutica de não precisar pagar o analista. Ando durango pra caramba!
Imagino assim. Cada indivíduo delimita sua área própria, o monitor é um grande shopping, as lojas são os textos, os comentários são as prateleiras fervorosas da aprovação dos leitores compradores da ostentação do outro; algo como um grande salão de departamentos para pseudos intelectuais carentes de elogio.
A necessidade de se fazer valer vai de mim ao outro e assim sucessivamente no tocante a quase tudo que se expõe em sua lojinha de auto glorificação. Discorre-se sobre Razão e Ética, o bem e o mal, a esperança e a paz, cores e nomes, celebridades, política, família etc. Explodem saberes acerca de tudo e mais um pouco. Fala-se das películas de sucesso, do clássico noir, criticam-se novelas e livros. Rebuscam com superioridade rigorosa sobre amor e paixão - tema tão simples e sem delongas. E para inflar peitos de pombo: divagam-se sobre os diálogos de Platão; a última sinfonia de Beethoven; o Rei da valsa, Johann Strauss; o romântico Dom Quixote de La Mancha; discutem Dante em sua Divina Comédia e por aí vai as tantas teatralidades virtuais.
No entanto, será que nessa estratégia da multiplicação de visitantes, o blogonauta é, de todo, sincero? Será que esta supervalorização de si mesmo cria valor conseqüente para o leitor? Eu mesma quero saber quantas pessoas me visitam por dia e gosto ainda mais quando me respondem um texto por e-mail. Seduz-me. É bom para o moral. Mas será que atingi meu fiel objetivo?
Cada blogue jorra do estômago a famosa frase: “espelho, espelho meu, qual será outro com o umbigo mais bonito que o meu...?”. E eu cá na minha mercearia pequenina enveredo por essa vertente curiosa e - quiçá também, sou uma “persona non grata” a escrever para eu, para tu e para ele; para poder sair de mim e voltar a mim. E neste despejar “marromeno” de iguarias, me revisito a cada vendagem de palavras aprendendo a apartar-me do ego encapsulado. Que assim seja.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

dos antônimos que se fundem...

A eterna existência do: ante e pró, não e sim, certo e errado, bem e mal. Dualidades. Divergências. Desafinos. Antônimos.
O que há tempos martela na minha cabeça é essa tal de Imparcial e Parcialidade. Como não ser tendenciosa? Tenho opiniões mutantes formadas, princípios, valores que regem minha vida e interesses, que são na verdade como minhas impressões digitais: ÚNICAS E INTRANSFERÍVEIS.
Como me desvencilhar das minhas digitais e necessidades com total isenção sem inclinar-me em favor de mim mesma ou de quem amo? A resposta se parece cristalina como água. Todos somos tendenciosos. Creio que este antônimo da PARCIALIDADE só existe para (co)existi-lo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

E VIVA A ECONOMIA ! ! ! ! !

Meu filho emprestou cinqüenta centavos para um colega de escola e depois me disse que não precisava de pagamento. Afinal são apenas "cinco moedinhas de dez centavos que não servem pra nada", como ele mesmo declarou. Por ser um tema relevante decidi fazê-lo em sua homenagem.
Eu sei que se tratando de dinheiro todo ele juntado cresce, eis o motivo da minha idéia e assim que postei no blog logo, logo o chamei pra ler. - Pedro meu filhote, LEIA! Escrevi especialmente pra você. Pois é... aí está várias pratinhas e dentre elas têm de dez e cinqüenta centavos. As guardei - dia a dia - em um porquinho de barro cor-de-rosa. Interessante esta fotografia, não acha?! Considere isso aqui educação financeira e faça como eu, seja um poupador.
E assim se deu: durante quatro meses, do final de maio a meados de setembro, acumulei a quantia de R$178,00; eram apenas moedinhas, ou porque não dizer, trocos.
Que tal, o que me diz, hein?!

domingo, 17 de agosto de 2008

E N S A I O

Sentia-se apática. Virada do avesso. Adormeceu triste. Sonhou-se a Fênix. Despertou renovada. Deu-se uma nova chance. Tantas quantas fossem preciso. Se (re)inventou. Cheia de esperanças deu a largada. Outra vez...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

dos românticos...

Se eu pudesse ser uma dança queria ser o Tango. Uma das coisas que eu adoraria ter vivenciado como forma de sedução ao meu casamento era ter rodopiado muitas e muitas vezes com meu marido. Dançar é o regenerador de todos os males do cotidiano e dos aborrecimentos e afins.
Tantas vezes a lua encheu minha alcova e me transportou à lugares surreais. Eu e meu marido estivemos em tantos e eu era a brisa transportadora. Via-nos numa dança cálida e sensual com o palco iluminado por uma claridade inverossímil, a mesma que invade sempre minha cama. Devaneios meus, ainda que só meus, simplesmente meus...
A palidez lunar era o elemento que nos vestia sutilmente a pele de prata; o Tango: ah!, o tango!, essa dança incendiária e bandida fluía com sensualidade ímpar aprovando nosso olhar canalha e compenetrado. A melodia quente do protagonista cadenciava nossas almas com a força irreverente dos nossos corpos na conquista dual. Toques levemente abruptos, sons guturais tão nossos, cheiros, gestos inexplicáveis, trocas mútuas; abstraídos do mundo na sensação de unidade e liberdade que incrivelmente fazia parar o tempo. O momento tão nosso, da lua e da dança... ao som do bendito seja o tango a transbordar em nós como em uma cópula.
Tal o charme na película “Perfume de Mulher”, com Al Pacino e a clássica arrepiante cena na música de Carlos Gardel. E, a flutuar no salão, sob “voyeurs” espectadores, eram ele e a moça, além do tango, é claro.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

EVOLUCIONISMO ou CRIACIONISMO

"Em algum lugar, alguma coisa deu terrivelmente errado"
(frase acima)
Você acredita na teoria da Evolução? Ou acredita na Bíblia? Mas dentre essas teorias qual das duas você escolhe para si firmar ao mistério da existência humana? Reflito, filosofo, imagino o inimaginável, mas, alguma coisa forte em mim tende para o lado da CRIAÇÃO.
Conta-me o Livro de Gênesis a perfeita harmonia do criacionismo cujo modelou o universo e que diz mais ou menos assim: no princípio Deus criou os céus e a terra; a terra estava vazia e escura e Deus ordenou que se fizesse a luz; depois veio o dia e a noite; as águas e o firmamento; a aridez do solo; e Ele ordenou que crescessem plantas, sementes, frutas para servir como alimento; então criou o sol e a lua e em seguida as estrelas; os animais das águas, do ar e da terra; e por fim criou homem e mulher à sua imagem e semelhança presenteando-os talentos para administrar a Sua Criação.., e ordenou que frutificassem e multiplicassem a sua espécie com autonomia, responsabilidade e discernimento... E Deus viu que isso era bom... e asssim se fez...
Para mim isso não se dicute! Palavras para que???
Porém, há alguma coisa que falhou na Origem de tudo e que está para além da minha compreensão. Será o Bem e o Mal a raiz de todos os problemas da vida? Por que nunca se soube "de onde viemos e para onde vamos" com a certeza que precisamos saber? Qual o verdadeiro motivo desse enigma tão impenetrável à razão humana?
Não trato aqui de querer misturar religião e ciência, mas de instigá-los ao pensamento: pensar, pensar e pensar... e nesse ponderar dos tantos questionamentos que fundem minha cuca, gostaria imensamente de saber onde repousa a essência dos sentimentos de amor incondicional, ódio, felicidade, paixão, amizade, solidariedade, júbilo e compaixão? É na Ciência ou na Criação?
E como diria Dona Milú da novela Tieta: mistééééééééééerio...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

E DEUS criou a MULHER...

O universo feminino é rico em uma grande sensibilidade quase inalcançável. Considerando-me parte dessa esfera gosto de deambular pelas características multifacetadas do sexo frágil. Ensaio ao máximo meu próprio distanciamento para melhor compreender esse turbilhão hormonal.
Toda mulher tem de fato uma percepção extra-sensorial que está fora de questão. Ponto. Para nós, tudo importa. Ou os dias estão mais rosados, ou o céu está menos azul, ou mais cinza, ou chove lágrima ou pérolas. Somos seres emocionais pela simples natureza, e no entanto, buscamos a sabedoria. Sem onipotência. Longe disso. Mas é incrível! Nós mulheres enxergamos a vida de frente, lado e costas, e, não sei bem o porquê, detemos um poderoso terceiro olho: a intuição.
Mas o mais curioso que possa parecer é a dinâmica de todos os dias sendo feita e refeita com maestria. Damos conta do recado com primor e o mais inexplicável ainda é que, obcecadas por detalhes, percebemos um ínfimo pontinho preto no canto mais insignificante do gesso da sala.
Múltiplas à nossa medida podemos ser ao mesmo tempo: mãe-torista; pai se houver necessidade; administradoras da casa e tudo que ela implica; fortalecedora do emocional de nossos filhos usando a palavra certa; apaziguadora das animosidades entre irmãos; suportadoras do mau humor do marido. Enxergamos o TODO... enfim... E sem esquecer que mil mulheres habitam em nós, ainda fabricamos tempo para submergir à nossa individual companhia.
Se sofridas, choramos. Se contentes, choramos; mas somos alegres. Lutamos pela essência da vida e viemos afloradas para amar, amar e amar... Desenvolvemos métodos para transformar o complexo em simples, o pouco tempo em tempo de qualidade, a severidade atrelada de um manso sorriso e o santo puxão de orelha. Somos duais.... plurais... mulheres... mães... Somos ninja! Arranjamos solução para tudo, porém não somos tolas.
Temos a capacidade de pensar e planejar variadas coisas ao mesmo tempo sem nenhuma confusão mental. E o mais compensador de tudo isso é que com tantos afazeres domésticos e a psicologia sendo exercitada à quem guardamos sob nossa asa, ainda assim, queremos cuidar desses amores com rigor sem par.
Somos a comunicação viva, o diálogo equilibrado para a felicidade geral da instituição chamada FAMÍLIA. Em vista disso, carecemos do nosso “time” para refletir e reorganizar o caos cotidiano em seu devido lugar. E então, ressurgir como a fênix, novinha em folha... em cada amanhecer.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

R E P E T I R (S E)

Nunca trilho o mesmo caminho duas vezes, há sempre um novo debruçar, uma nova possibilidade... Um passeio bucólico, um até logo, o percorrer cotidiano pelas avenidas, as conversas de todos os dias, os sorrisos de todos os dias, os abraços de todos os dias, as tantas pegadas na sala de casa, ou uma cidade que já fui várias vezes.
Percebo que quando estou a fazer caminhada me deparo com o mesmo rio Poty, que é incrivelmente outro; suas águas a escorregarem suavemente não são as mesmas… E eu a caminhar ao lado do rio e a pensar e pensar.., ah!, sou inexplicavelmente outra; a cada dia uma mulher se (re)inventa em mim, retemperada e cheia de emoção - subjetiva eu sei -, mas com o estado de espírito aberto à renovação. Renovar: Recomeçar. Substituir por coisa nova ou melhor. Dar aspecto de novo. Conta-me meu fiel escudeiro dicionário Priberam online.
Eu, tu, ele... em cada momento vivido nossa singularidade percepcional testemunha a maneira de como enxergamos o mesmo mundo, diferente. A principiar repetidas vezes a própria vida, no entanto, com novos olhos gentis.

sábado, 26 de julho de 2008

OS MEIOS ALTERAM O FIM

As coisas são claras. Em todo estado crítico da sensação de injustiça, desgosto, insegurança, vaidade ou amargura que possibilitamos experimentar, literalmente podemos pisar na bola. Mas o mais incrível que possa parecer é que mesmo transgredindo ao que nos firma ao chão, ao que nos move do bem para o bem, ainda somos capazes de macular nossos princípios morais por: raiva, desesperança, despeito, vingança, insensatez, rancor ou maldade. Somos falhos pela própria natureza!
E, no entanto, algo que acreditamos ser – para aquele momento – cai por terra e põe à prova toda nossa junção de valores; estes marcarão nossa história e filosofia de vida para sempre. Traímos. Somos traídos. Entretanto, quando o traidor somos nós a dor é dilacerante e assombrosa, pois dentro de nossa essência fica o sentimento de não ter traído só o outro, mas a si próprio. A consciência é algo quase material, sai de nossas cabeças e se lança frente a nossa face com um olho interior tenebroso e inquietante. Olha-nos de cima para baixo com a propriedade soberana de quem salienta o bem e o mal; e então: despencamos.
O remorso parece ter fibras nervosas que causam dor física e moral, e nesse instante a cena sai de nós para revermos o passo-a-passo como a um panorama. Visualizamos toda a dramática do cenário com algum distanciamento: a confluência da Consciência do nosso EU por si mesmo martelando a pequena frase ''conhece-te a ti mesmo''; a Ética que deixamos em um canto obscuro e que vem mostrar sua cara lavada, tão cristalina que encandeia nossos olhos; e o sentimento de Culpa aterrorizador. Este é o tripé sobre o qual revisita nossas crenças e nos deixa na lona. Obviamente é na adversidade onde deparamos com nossa raiz mais oculta. Posteriormente avaliamos o peso do que produzimos e a máscara cai. Nessa ocasião, nos sentenciamos e compreendemos que os meios não justificam o fim.., e daí pensamos: "- É a ruína!, preciso consertar o prejuízo, mas e agora, cadê a coragem de destampar-me ao outro para ter minha liberdade de volta?"...
Por vezes levantamos uma bandeira qualquer... Fazemos, acontecemos e sopramos nossas frágeis convicções, todavia o buraco é fundo e a agonia também. Existem primitivos e latentes sentimentos que responsabilizam o que realizamos. Somos modelados pelas vivências e, podemos sim, cair em contradição ao que antes afirmamos ser. Tantos vícios camuflados nas forças do acaso. Fatos que outrora nos magoaram convergem ao ego insaciavelmente suicida - dia a dia -, empurrando a sermos instrumento para o mal. Acreditem! Não falo com arrogância nem com caráter esnobe, na verdade sinto a necessidade de dissecar esse assunto que, faz parte das nossas relações tão humanamente humanas. Do mesmo modo, exploro certo discernimento para enxergar que somos objeto de tantas imperfeições e calcanhares de aquiles. Eu fui prova viva! Endureci e amoleci de acordo com minha auto-estima.
Sabe-se que nós, seres humanos, vez ou outra nos transformamos no que o outro faz de nós; nosso homem exterior se tiraniza, e em seguida nosso homem interior se renova. A corrente do bem lutando contra o mal. E porventura para satisfazer e acariciar a nossa profunda insignificância, discorremos o fio condutor acerca do outro para camuflar uma risível mediocridade. Ali, acolá, ontem, naquele dia, naquele ano e,... paaaá... acontece: somos pérfidos. Porém, instantaneamente nos arrependemos e,... plaafht... já foi! Acabou-se o que era doce... O vento se encarregou de levar as dispensáveis palavras aos ouvidos de quem não tinha dignidade para contá-las e nem ouvi-las...
Com o passar dos dias cortamos dobrados, sofremos, agonizamos. Neste meio tempo, a culpa se faz em nós mais presente e mais disposta que o caráter duvidoso: uma Senhora absoluta que instiga à assumirmos os riscos da nossa irresponsabilidade. Percepcionamos que tal ação repudiosa não pode deixar atrofiar nossa última “folegada”, e além do quê, carecemos chutar a verdade para frente. Nada na vida dá garantia de ser leal sem limites ou medidas o tempo inteiro. Ainda mais quando nos sentimos ressentidos e inferiores em alguma situação que muito nos feriu.
Ainda assim, mesmo com todos os percalços do antes e durante, precisamos caminhar para o depois a fim de pagar o ônus e ajustar o prejuízo a qualquer preço! Meditabundos..., viajamos ao nosso interior e lá bem no fundo enxergamos nossos atos, ações e omissões. Denunciamos e encaramos de frente os nossos intestinos e sentimos enjôo. Nesse ínterim, entendemos que a partir de certa idade as palavras e entrelinhas já não são mais inocentes, cujas podem fazer gotejar sangue. Admitimos a dor que causamos e que em alguém sangrou: então o arrependimento galopa em nós perfurando nossos orgãos vitais. A auto consciência executa pena de morte; ela pode ser doce e amarga e daí assinamos o nome embaixo do desvio da rota. Nossa vergonha é mortal, mas o arrependimento é libertador. Decerto as cicatrizes do corte irão demorar suavizar, mas servirão para fortalecer a casca. E, não obstante, a homeostasia, esta sim, vai predominar... É a natureza humana. Nem mais. Nem menos.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

C U R I O S O ! ! ! ! ! ! !

Estou gorda, mas não nos sonhos que tenho. Em todos os meus sonhos me vejo sempre esbeltíssima. Ora, ora!, deve ser um ótimo sinal. Creio eu que meu cérebro ainda não processou os tantos quilinhos a mais que teimam em ficar neste corpo. Por isso, todos os dias ao acordar, digo para mim mesma em alto e bom som:
" - Graaaxa saia definitivamente desta mulher e ligeeeiro baaala, este corpo não te pertence mais. Eu sou aquela que ama a Selena; eu sou aquela que nunca vai desistir da Selena; eu sou aquela que vai patrocinar a Selena sempre que ela quiser; eu sou aquela que vai estar com a Selena pelo resto da vida".
Portanto, estou tratando de caminhar e reeducando minha alimentação, já consegui derrubar 8 kg dos tantos que ainda restam ser eliminados. Sinto saudades de mim; vou voltar a ser como antes. Ponto. A empreitada só é dura para quem é mole! E eu não sou mais.

terça-feira, 22 de julho de 2008

de acreditar...

Sempre quando acho que não vou conseguir sair de onde estou: Ele sopra - com força - baforadas do mais puro oxigênio em minhas narinas, e mesmo que eu não O veja, lança o ar dos meus pulmões... então explode em mim a vontade de recomeçar...

sábado, 12 de julho de 2008

Colorindo a Vida...

Em julho de 1991, recebi um pacotinho que veio da sala de parto. Meio desajeitada, admirei seu rostinho e suas pequeninas mãos. " - Ela nasceu!", então pensei: veio para alegrar a vida de seus pais e fazer companhia para sua irmãzinha. Com cara de paisagem e espanto a segurei alegremente no colo e rapidamente comecei a conferir cada detalhe, com quem mais se parecia e se tinha todos os dedinhos no lugar. Coisa de tia boba!
Dezessete anos se passaram. Hoje é moça feita em um belo corpo de mulher. Está pronta! Aberta a aprender e a segurar as oportunidades da vida: estudar, se graduar, ser feliz. Vai arquitetar a arte de projetar e traçar planos.., construir, desenhar, criar residencias, edifícios... dá seu tom harmonizando espaços para atender as nossas necessidades e é na Arquitetura que escolhe sua verdadeira vocação.
Vou sempre lembrar. Olhos oblíquos, construtores, imaginativos. Que se entrega sem medo quando quer algo de verdade. A menina, agora moça, busca seus ideais. Em rigor, rompe barreiras e configura sonhos alcançáveis. Outrora, aquela criança de vozinha encantadora inaugura seu primeiro abraço ao mundo, já não cabe mais nos braços dos seus pais; é agora dos braços do mundo. E esse universo novo reserva-lhe fortalecimento pessoal e profissional, cujo poder de desbravá-lo é particular e intransferível. Se especializará. Terá uma visão generalista e entenderá de tudo um pouco... Vai se dedicar... Vai produzir... Venderá sonhos... Será útil à sociedade.
E a cada passo que se permitir galgar, a perseverança vai ser sua direção para vencer os obstáculos - o que lhe é uma característica nata. Links na sua estrada se abrirão e talvez em outras cidades do estado. Idéias. Ideais. Transpiração. Conquistas. Realizações. Diz o ditado que sonho que se sonha junto transforma-se em realidade. Saiba!, sua tão grande família estará aqui, ao que der e vier, validando suas habilidades e seu esforço. Tantas noites em claro estudando, a ansiedade devorando o conhecimento, às vezes a insegurança e a angústia em um redemoinho voraz; sentimentos próprios da adolescência, mas que todos nós passamos um dia.
Sabrina, minha querida afilhada: seu faro em reconhecer amigos é inquestionável. Sempre disse que raspas e restos a interessavam, mas percebo que sabe muito bem fazer desses restos o manjar mais apetitoso dos deuses. E sabe aquela menininha de olhar lânguido e desprotegido? Hoje é mulher crescida, linda e forte!, uma divisora das próprias águas: obstinada a vencer, pois quem tem objetivos sabe qual o caminho a seguir...
SABRINA: Nome de origem Celta. Reza a lenda que Sabrina era uma ninfeta que vivia no rio Svern, na Inglaterra. Seria uma sereia?!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um Encontro Com o EU

Não sei se alguém já pensou ou disse alguma vez que os livros não precisam de nós, ou seja, somos nós que precisamos deles. Falo por experiência própria, preciso dos livros para manter minha sanidade mental, eles me salvam de mim, do meu próprio perigo. Quando leio, algo que não sei explicar mexe comigo e com muitas das minhas verdades; a mente traz o acontecimento para perto de mim, mas é o capricho imaginativo que lava minha alma com água e sabão.

Quando os livros estão na prateleira sinto que me aguardam, querem ser tocados, folheados e, humildes, me instigam ao pensamento... Há uma troca de mim para o livro e dele para mim. Tenho me dedicado bastante à leitura ultimamente, quando não estou a ler um livro, agonizo; se não me entrego às letras, definho. Apetece-me fiar o olhar na negridão contrastante ao papel que tece o curso dos fatos.

Ler é o momento mais privado, solitário e prazeroso que existe. Às vezes esta experiência tão forte chega a ser física, posso experimentar desde taquicardia, uma grande felicidade ou um dilatado pesar. Há livros que massacram, devoram, lapidam, mas de alguma forma deixam ensinamentos. Incorporo-me à história com a fiel sensação que adentro cada página como se ultrapassasse uma porta secreta, todavia gosto do livro que dá prazer, que possa por momentos habitar todas as células da minha carne, se a leitura não me agrada a deixo de lado sem me sentir culpada. Livro não combina com culpa! O livro é o passaporte para a verdadeira liberdade...

Não considero nenhum invento maior em toda a história da humanidade tal o livro. Ao ler vôo para onde me pede a leitura, transformo-me em uma pessoa totalmente franqueada, deixo-me aqui na terra para ser a outra que preciso ser. Então, cedo-me por inteira e debruço pela janela das folhas acompanhando na horizontalidade das letras o imbricar das paisagens... eu vejo e sinto a história.

No final de 2007, reli pela segunda vez: “VIA LÁCTEA, Pelos Caminhos de Santiago de Compostela”, de Guy Veloso. Sem dúvida é um dos melhores livros da minha vida! Não menos que 190 páginas em uma viagem colossal de 800km a pé, onde o autor cruza a rota ancestral de peregrinação cuja se estende pela Península Ibérica até a cidade de Santiago de Compostela. Momentos encantadores e bem descritos em toda reflexão que a mesma implica. O enredo ímpar é de uma alegria poética capaz de transportar-nos como um forte espectador a cada pueblo medieval, a cada pedra ou terra do caminho percorrido, mas principalmente ao autoconhecimento do peregrino. A história envolvente harmoniza mente e espírito, coração e alma. Mas, acima de tudo, têm o poder de nos levar a contemplar um homem determinado a fazer companhia de si para si: percebendo-se a cada pegada, a cada comunhão com os elementos da natureza, a cada busca ao justo sentido das coisas, a cada sensação de déjà vu, e, ao verdadeiro sentimento panteísco... uno.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Quem conta um CONTO aumenta um PONTO

Helena demorou a descobrir que o humano era simples... e falho. Muitas vezes calou por receio de magoá-lo, por medo de perdê-lo, por orgulho ou até para ser classuda, e igualmente apunhalou sua dignidade com um golpe letal desfraldando para trás seu EU; outras vezes rebatia ferozmente feito bumerangue às dilaceradas palavras que voavam feito maldição, mas depois sofria horrores por ter se deixado levar pelo mau humor de Antônio.
Idas e vindas. Comportamentos desconexos e passionais. Ao passo que evitava enfrentar o problema de frente, pensava: “Meu Deus, porque sempre recuo se emudecendo minhas verdades não abafarei o mal?”. Certamente, Helena degenerou suas convicções vulgarizando os instantes por pura covardia e assim desvalorizava os momentos que poderiam ter sido preciosos.
Agora pontapeia sua realidade para frente, como agulhas; mesmo que seja em forma de obelisco. Para ela, a verdade por mais crua e dura é mel, e pode ser suficiente para anular a astúcia. Tantas vezes não rebateu isso ou aquilo e se deixou fazer de pano de chão para Antônio pisar, quantas vezes se fez invisível e foi cúmplice solitária da madrugada enquanto seu amor dizia trabalhar. Quando Antônio chegava, Helena engolia o álcool que suas narinas vaporizavam enchendo a alcova de ressentimento, mas mesmo assim retrocedia, não lançava uma pergunta à ele. Pura perda de tempo! Prometia a si mesma se fazer de árvore, deixar para lá, não dar o braço a torcer na espera de mais uma noite com horas congeladas que, sentindo-se abandonada, deitava o olhar na luz da madrugada que clareava o vidro dos carros da rua. Não obstante, ouvia os passos do seu homem e se traía com a avidez das lobas, e, ao vê-lo mendigava satisfações. Pouco importava se teriam evasivas ou quaisquer desculpas, mesmo se mentirosas fossem. Vez em quando ficava quieta a mercê da respiração dele, achando que até sua respiração na hora do descanso era falsa. E gritava por tanto se achar burra! Em outras vezes revidava e o acordava a fim de inquiri-lo urgindo loucamente para não calar a cólera que obstruía sua garganta. Estava cheia! Com o passar dos dias e dos anos foi minando sua saúde física e mental. Chegou ao limite, começou então seu declínio e.., descompensou.
Era capaz de se imaginar com a mão no queixo, admirada pela estupidez dos que de uma forma ou outra a ofenderam gravemente... Pai, mãe, marido, filhos, irmãos... Ofendidos e ofensores se confundiam em seus pensamentos de flechas douradas, relativizava as situações sem se sentir vitimizada, contudo tinha o valor devido para cada episódio. Pensava que o ajuste de contas um dia chegaria para todos, e talvez até com um cáuculo difícil de remir para ela. Era o destino direcionando e redirecionando as inter-relações que se entrelaçavam e a entalavam de ironia, sapos e cascos. Todavia, a mesma vida que via-lhe tombando - semelhantemente - acompanhava seu levantar: mais sábio e fortalecido. E Helena refletia: “É, esta é a minha vida!, oferecendo mecanismos que me ajudarão a vomitar do estômago o azedume onírico da minha infância, adolescência e adulteza”.
"Adultos também se desviam do caminho, maridos da mesma forma: erram e metem os pés pelas mãos"; - pensava ela. Foi por este motivo que Helena não conseguiu mais consumir o intragável, pela simples razão que mais adiante a conta viria em outros desdobramentos que lhe custariam caro: mágoa, rancor, irritabilidade, TOC, obesidade, medos, analistas, psiquiatras, síndrome do pânico, ansiolíticos, antidepressivos, anti-hipertensivos, florais e pior, a incapacidade de usar a própria inteligência emocional.
Dessa forma trabalhou para aprender a arremessar o cuspe logo que era gerado o choque e a decepção. Aclarava os fatos sem demora e se possível os desenhava para Antônio de modo que não ruminasse mais nenhuma bola quadrada, espessa e amarga de custosa digestão. “Raiva mata!” - Dizia a si mesma que dali para frente desobedeceria a lei do silêncio que privara e inquietara seu coração. Tal lei cuja moral era absolutamente pusilânime e que: a sentenciava, a atormentava, a seduzia e falseava sua auto-estima; genuíno arroubo de seu ressentimento e ego insaciável. Helena por cinco anos jurou vingança!, mas a vontade de retaliar Antônio desvaneceu em uma inocente manhã chuvosa de domigo.
Interrogava deveras vezes sua consciência o motivo de não livrar-se dos punhais sob suas unhas, o porquê de fazer vista grossa, o porquê de consentir sujeição em relação a Antônio? Desde a mais tenra infância ela sofreu medo da violência e do abuso da força e do poder do pai. Ah!, seu pai tão amado embaraçava-lhe os sentimentos de afeição e ódio. Tinha pânico do seu olhar furiosamente verde, era o sinal do peso do seu braço; o mesmo braço que insistentemente confiava-lhe sem retorno acolhimento e mimos.
Apanhar castigava-lhe toda conjunção da pele e dos ossos, mas mortificava muito mais sua alma. E doía-lhe mais ainda quando a pena vinha junto de um olhar raivoso e berros ensurdecedores; estes eram monstros sanguinolentos chupadores da auto-estima e da resiliência de qualquer criança e qualquer mortal. E mesmo com todos os medos e terror de seu adorado pai, teve a graça de conhecer na infância o Olimpo: seus avós maternos eram-lhe como divindades, a ensinaram as delícias de Ser e Estar consagrando sua existência plena de afetividade. O espírito benevolente de seus avós em cada olhar, em cada elogio, em cada sorriso e nos incontáveis abraços ternos ensaiaram a menina Helena para o mundo. Foi essa a força motriz que ajudou-lhe ser gente grande fortalecendo sua casca. Desde pequenina seus avós, Sr. Murilo e Dona Maria a incentivaram ao aprendizado, ao conhecimento, a ser curiosa, a pensar alto com os pés no chão, a gostar de conversar com pessoas e, principalmente, a se apaixonar pela natureza e pelas chuvas de verão o quanto pudesse.., amar infinitamente o som da chuva no telhado e valorizar a renovação que ela representava: a prosperidade. E diziam para a menina: " - Helena, seu coraçãozinho é um doce vão, deixe as coisas boas entrar, mas as tristezas também virão.., quando se sentir aflita visualise a chuva caindo e tomando conta de você, permita que a água pérola entre e lave sua desesperança e tudo ficará bem..." Foi esta perfeita chuva que libertou seu coração tão maculado desejoso de vingança.
Helena e Antônio, felizmente ainda constroem a relação de casal, amiúde, no compasso dos gestos limpos, no companheirismo, entretanto ainda se deparam vez ou outra com a incompreensão e egoísmo de ambas as partes. Estão aprendendo... vão-se indo... Consideram que suas crias vieram para ensinar-lhes “a arte de ser mãe e pai” e empenham-se com afinco na educação deles. Porém o essencial para Helena é não atapetar na sua conduta as sombras do que viveu outrora por medo de seu "protetor", com o propósito de nunca desafinar o coro dos contentes nem prostituir jamais a aderência do seu lar; tampouco deixar escapar qualquer tentativa de completude.
E viver se foi fazendo.., e viver se faz vivendo... de tantos anos ganhos com o bem, igualmente perdidos com frivolidades e opressão, do tempo não gozado da forma certa, da transgressão dos valores de Antônio, da banda que passou e acomodou Helena a só olhar pela janela, da rachadura no coração, das relações esgarçadas que vieram a ser novamente remendadas. E viver se vai vivendo... Por que viver para aquela mulher era o que havia de mais belo! Experimentando sua história de existir necessitava lapidar-se, e se triste ficava resguardava-se em seu esconderijo que tantas vezes respingou o assoalho.
Uma vez que seu drama era sem comédia nem recalques... da sua dor, das suas lágrimas feitas de água e sal, mas sem verterem-se orgulhosas ou submissas... apenas livres e nuas... como Helena.
F I M . . .

terça-feira, 1 de julho de 2008

VERDADE ou SENSACIONALISMO ? ? ?

Dei cabo em praticamente um dia e meio ao Testemunho Vivo de Glória Polo: “O LIVRO DA VIDA! DA ILUSÃO À VERDADE”, um acontecimento para lá de incrível ocorrido na vida de uma mulher anos atrás cujo raio quase a partiu ao meio. Segundo ela: veio e falecer, a encontrar-se com Deus, o Diabo, e que nesse encontro teve seu ajuste de contas zerado para ter a graça de voltar à sua família e à resgatar sua débil condição cristã.
Eu realmente acredito em milagres, acredito que Deus cura pela fé, que há um Ser Maior que está acima da nossa compreensão e entendo que Ele fez maravilhas, mas também acredito no mistério que rege nossa existência e não gosto nada, nada disso. No caso Glória Polo, ela afirma que Deus a escolheu operando o milagre de outra oportunidade de viver; esta senhora por sua vez dá seu depoimento frente ao mundo a fim de cumprir tal missão sentenciada por seu Senhor.
Sim, sim... uma missão a ser cumprida pela vítima deste raio que levou as conseqüências catastróficas: a morte de seu querido sobrinho e a sua própria morte; salvo o “sabão” para lavar corpo e espírito, segundo a autora, proferido por Deus se a mesma ansiasse uma nova ventura. Tudo tem seu preço, até morrer para nascer. Ou seria o contrário?! Vide publicação de 110 páginas que passeia pela doutrina cristã no afã de verticalizar e apregoar a Igreja Católica; instituição tão contestada e frágil depois de tanto ser escandalizada por deter um dos piores exemplos de seus principais seguidores: a pedofilia de muitos padres.
O buraco é bem mais fundo e cheira a enxofre! Nesse livro onde cabe realidade e ficção? Como se pode morrer, conhecer trevas horripilantes transbordando torrentes de lava, conhecer a paz e a luz mais clarificada que nem conseguimos expor em palavras, e em seguida voltar para contar ao mundo? Mas qual o motivo deste testemunho fazer JUS somente à Igreja Católica considerando-a uma só religião? Até que ponto há legitimidade se a sensação que tive ao ler é de inteiro Marketing Institucional?
O livro escacavia os 10 mandamentos e, principalmente, manipula o leitor ao cumprimento de seus preceitos, e caso a humanidade não os cumpra terá a língua do fogo do inferno em sua direção pelo resto de sua outra vida, infinitamente. Não é por aí. Não descarto que devo fazer o bem, amar ao próximo como a mim mesmo; respeitar, preservar e sustentar a natureza. Porém, ser escravo de uma religião organizacional ou de um ditador tirânico que determina ordens a serem cumpridas é o cúmulo da arbitrariedade e pior, se houver descumprimento da lei está sancionado à nós o terror. Este Olimpo que fala a Bíblia, leva a crer que nada mais é que um exército bélico para última morada dos prisioneiros deste Deus. Concluo então que, sob minha ótica é completamente broxante esse tipo de leitura, pois há volume de tamanha soberba e arrogância a cada frase lançada.
Da Igreja católica acho bonita a celebração da missa em si: a homilia, os cânticos, a hóstia que consagra os ritos, os cantos gregorianos, a eucaristia, o batismo, o casamento, a solenidade, enfim... Quanto a Bíblia, ainda não consegui afundar-me com maior propriedade na leitura, entretanto o pouco que li só me deparei com um Deus raivoso e punitivo, e que de amor está anos luz de distância de nós: a tão falada imagem e semelhança.
Racionalizando a minha reles condição de humana errante, penso: ora, bolas!, será Deus o exterminador de seus filhos? Será Deus tão vingativo assim? Mas será a Bíblia a palavra fiel de Deus? Quem criou a Bíblia? Como saber se ali está a verdadeira Palavra de Deus? Apesar de ser a obra mais lida de todos os tempos, talvez eu rejeite porque ela me constrange pelo simples fato de que subserviência e imposição não me apetecem, e tudo que é imposto me causa náuseas. Seria mesmo Jesus quem inspirou seus discípulos para grafar tais escritos, ou seria a aspiração de um povo intrincado em sua cultura com visão de mundo para sua época?
O livro de Glória Polo, mesmo sem fins lucrativos, me deu a sensação de como se produz a ambição em "marquetear" a clientela da Igreja Católica de maneira imperativa à não perder seus fiéis de vista e, além disso, fazer mais e mais cadastros. Nesse caso se não cumprirmos seus mandamentos estaremos como Joana Darck, todos queimados na fogueira viva do desassossego. De todo modo, lerei a Bíblia algum dia para conhecê-la melhor, todavia com o meu olhar crítico e objetivo, sem me sentir culpada nem imputada a nenhum regulamento.
E por enquanto..., bingoooooo à realidade terrena!!!

sábado, 28 de junho de 2008

Capturando a Sensibilidade...

Algumas das tantas mulheres da família Nery, encontro na casa da Socorra (à esquerda na escada), em Brasília-DFEscrevo para registrar uma situação, um sentimento, refutar algo, ou até para desovar meus demônios à decantar-me para melhor. Não abro mão, serei uma pessoa melhor, e isso já me faz contente. Mas claro!, representar o testemunho, fazer valer um momento agradável é de alguma forma ter o poder de congelar o tempo: nos sorrisos, nas emoções, nos olhares, na afetividade, nos gestos, enfim... Não há nada mais especial quando registramos uma reunião alegre, as palavras ora faladas antes mesmo da fotografia, os pensamentos do instante, o contentamento cuspindo as nossas caras. É mágico e delicioso!, porque a aliança da família nos torna, a cada dia, fortificados. Pela clara razão de que me inspiro quando bem estou, mas, também, porque a felicidade é tanta que não dou conta de consumi-la; tenho que dividir com os meus. A honestidade cristalizada na ocasião do click, desmente qualquer argumento que contradiga as sensações, liberando a intensidade delas, se ruins ou boas, a fim de nunca cairem no esquecimento. Afinal, o prazer evidenciado na foto acima, a festa de nós para nós, deliberadamente, assinala algo que quis escrever. Simples assim.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

do turista cheio de emoção...

Momento registrado em frente ao rio Sena: Ari, Sela, Caty, Celina. Texto escrito dia 05/10/2007, aeroporto Charles de Gaulle, Paris.
Estamos no aeroporto Charles de Gaulle, passa das onze da manhã e o avião já vai embarcar, daqui a duas horas estaremos em Roma com a graça de Deus. Não tive uma noite muito boa. Ontem jantei com meus companheiros de viagem “peru ao curry”, estava delicioso e ninguém sentiu nada demais, apenas meu fígado que não correspondeu ao paladar de todos. Tive enjôo e dor de estômago toda a madrugada, foi terrível. Rezei muito pedindo a graça de não adoecer: todas as viagens de avião estavam devidamente pagas e os hotéis pagos e marcados, nenhum contratempo poderia ocorrer; seria o fim do nosso sonho. E pelo sim e pelo não, nada é mais satisfatório quando tudo começa bem e termina ainda melhor. Au revoir Paris... a Cidade Eterna nos espera!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sedutor e Afrodisíaco

No mundo da perfumaria a palavra MUSK é sinônimo de desejo, magia e sedução cuja essência era originada da secreção das glândulas sexuais de uma espécie de cervo do Tibet; hoje esta substância é sintética e fabricada em laboratório. Mas o que mais me cativa ao olor do MUSK é sua calidez, sua doçura, seu secretismo, algo quase sanguíneo. Por onde o vento o leva jamais conseguirá ficar despercebido, do qual passeia pela brisa e emite vapores enfeitiçadores capazes de persuadir o olfato mais exigente. Seu aroma é atemporal, incita a atração física, é como se os feromônios das fêmeas pululassem. Por isso é considerado um perfume erótico e inesquecível.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

D E S E J O S... S O N H O S...

Na esperança dos objetivos, prometemos... eu prometo, tu prometes, eles prometem... promessas são afirmações solenes de alentos para dias melhores que buscamos.

Aprendi a sonhar com os pés no chão e os olhos voltados para realidade. Quando eu era menina imaginava que as brancas nuvens eram feitas de algodão doce gigante que daria para suavizar a vida de todas as pessoas da Terra. E, na minha ingenuidade, realmente acreditei que aquela planetária almofada além de ser muito fofa e macia era o alimento enviado por Deus especialmente às criancinhas do universo. Me visualisava pulando, correndo, dançando, saltando, deslizando como se fosse um imenso escorrega-bundas numa maratona de deleite, depois escolhia a nuvem mais fofa e adoçava a boca com mel; se tivesse sede espremia uma outra nuvem saciando-a com gotas fresquinhas.

Imaginar sempre foi meu ócio criativo, somos reis da imaginação. Meu amigo imaginário em todo tempo foi meu pensamento a engendrar a minha facilidade de criação, de sensações, de me remetar à lugares infinitamente surreais; produto dos meus devaneios pueris.

E eu pensava.., e pensava: ah!, meu Deus: se eu pudesse nascer muitas Selenas para aproveitar mais e melhor e.., subir ao sol, correr pela lua, descansar numa nuvem docinha, cavalgar ao vento, caminhar sobre as águas até fundir-me com o horizonte e o mar, colher várias estrelas coloridas e encher meu baú secreto, mergulhar de cabeça no firmamento, nadar pelo ar, me afogar no éter, pular amarelinha no rabo de um cometa, deslizar nas cortinas violetas do lusco-fusco, ouvir um piano tocar "Prélude à l'amour" em plena lua cheia, e voar pelo céu sem eira nem beira, navegando a braçadas entre as estrelas com o olhar grudado no pisca-pisca que explodia no obscuro... e as mil borboletas que voavam em meu estômago também se divertiam comigo.

Ah!, se eu me embriagasse do vinho úmido da noite, mas depois tomasse banho nas nuances do pôr-do-sol até me besuntar de jovialidade.. ah!, e se eu pudesse usar a palavra e o diálogo como único fim para o consenso, e construir a paz de mim para o outro e à todas as famílias do planeta, comungando no respeito e no aperfeiçoamento da humanidade.., ah!, se eu fosse capaz de exercitar a solidariedade e a compaixão na busca por uma sociedade igualitária tornando infecundo toda maldade e egoísmo do homem para o homem. Por não ser capaz de voltar-me novamente criança, hoje eu preferia a sanidade dos loucos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

do vírus da arrogância

Pessoas arrogantes são: extremamente rigorosas com outras pessoas, inflam o peito tomado de soberba, deliram em um palavrear cheio de gala com pontos cegos de repugnância, vivem como se estivessem acima do bem e do mal. No canto da boca, o escárnio displicente. Nos olhos, o esplendor estufado de astúcia e individualismo. São figurinhas vaidosas, inseguras e quiméricas.

domingo, 8 de junho de 2008

Cara de sucupira têm em tudo lugar...

Gentêee... de vero, se tem uma coisa que abomino é brasileiro babaca que vai morar fora do seu país e posa de bala. Na minha primeira viagem para a Europa, mochilei por tudo quanto foi cidadezinha da Espanha com minha filha Catarina, e numa dessas paragens fincamos pé em um bar de Granada para comer algo, estávamos cheias de fome e mortas de cansaço.
Havia uma apresentação bem próxima de capoeira e decidimos ficar por ali mesmo assistindo. Vários brasileiros cantavam na maior festa, um deles era uma mulherzinha mal-educada pulando mais que macaco, só faltava a melancia na cabeça e pior, praticamente em cima da nós. A cadeira ia pra-la-e-pra-cá e aquilo me irritava!, eu estava subindo pelas tamancas já com a lavadeira "roxa" cá dentro sentindo que faltava pouco pra armar o maior barraco, mas Cacá disse para eu me controlar que isso era vergonhoso.
Então tá, obedeci minha filha e fiquei só urubuservando a abestalhada, porém na espreita. Continuamos nosso papo sem olhar para a espetaculosa, fazíamos de conta que ela era invisível, e mesmo famintas ficamos sem mais a menor vontade de continuar ali. Naquela ocasião, a doidivanas percebendo que não alimentamos sua baixaria, virou-se para nós e perguntou pra minha filha de onde éramos? Catarina respondeu e se voltou à mim sem encompridar conversa. A "gata páia" não se deu por vencida, falava em cima da gente quase cuspindo, eu conseguia sentir seu hálito de saburra de cigarro misturado ao álcool; putz!, que horror...
Na verdade ela queria tirar onda com nossa cara a fim de aparecer para os outros do "tipinho" dela que lá também estavam. Eram uns dez. Sabe.., aquelas pessoas que saem de seu país para trabalhar de piniqueiras e dão pinta de bacana dizendo que forão estudar na Suiça, Inglaterra, Espanha etc?, pois é!, é bem por aí.
Sim, continuando... A "tipinha" não contente se voltou novamente e perguntou para Cacá se podia sentar-se conosco? Ah!, mas aí não prestou não. Cacá esbugalhou os olhos e olhou bem dentro da tela larga dela e disse em alto e bom som: “Não, querida!, aqui conosco nesta mesa só assentam-se espanhóis!”. Caraaacoles!, foi no talo das veentass. A comadre ficou a ver navios com a cara se contorcendo toda sem graça, depois saiu com o rabo entra as pernas, puxou a cadeira da mesa em que antes estava e quase se afundou, em seguida ficou imersa em pensamentos fazendo bolinhas de uma fumaça tão fedorenta que mais parecia um dragão fêmea. Foi hilário!
É nessas horas que se deve botar alguém em seu devido lugar, e quando esse alguém é nosso co-patriota para lá de mal-educado: ah!, aí sim, a vontade cresce na velocidade da luz. Fiquei curiosa e perguntei a Catarina o porquê dela dizer que ali só podia sentar espanhóis? Cacá que não é boba nem nada, percebendo que a turma em que a "marrdita" se encontrava havia homens e mulheres (brasileiros); daí a tal idéia, uma grande sacada. Nada tinha a ver com preconceito, mas com ficar tranquila sem sermos importunadas. E assim, em uma tacada de mestre minha filha com muita classe mandou a desavisada dar um passeio bem basiquinho sem direito a volta.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

da compaixão...

Uma das coisas que mais aprecio é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Exatamente como o outro se sente.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Apenas para dizer tão só o que sou...

Naquilo em que acredito, sou firme. Nas minhas convicções, persistente. Relutante aos meus princípios. Ignorante vez em quando. Tola quase sempre. Nunca arrogante. Nunca soberba. Sem meias medidas. Aprendendo, crendo, descrendo, sendo. Afinando-me com o equilíbrio.

Leal aos amores e amigos, enquanto me forem. Em minha vida dormem tantas outras. Agradeço por tê-las. Sou de sentimentos fortes. Quando me zango não sei dissimular. Cedo quase sempre. Treino ser senhora de mim para ser assertiva, é que sou mais impulsiva do quão preferível, e isso não é bom. Tenho trabalhado o autocontrole a fim de me conhecer melhor, é um processo de auto-conhecimento. Ponderar é um exercício não tão difícil.

Detesto sentir qualquer tipo de dor. Tenho medo da morte e nem me alongo sobre este assunto. Não minto, omito; quando escondo, é para o bem. Às vezes minha coragem é burra, e minha covardia não me basta. Questiono. Questiono-me. Sou uma pensante nata. Costumo acreditar nas pessoas. Me acho bem menos inteligente do que gostaria, e bem mais burra do que acho que poderia.

Se razoável, negocio; se cega, teorizo. Com o discurso afiado. Uma palestrante frustrada. Comecei a fazer terapia, às vezes um puxão de orelha tem grande valia. Quando quero, quero muito. Vim do pó, de tudo e nada. Sou feita de barro e lama. Também do mar e da chuva, e do vento que me sopra as palavras; da mistura do passado, presente e futuro, de ser nada e tudo... Nooossa Senhoora!, aonde é que vou parar com tanto crise de ego?!

Na verdade, sou uma ariana roxa, e o signo de Áries é energia: nitroglicerina pura. Audaciosa, não aprecio imposições; amo a liberdade e a justiça, esta é uma das tantas características deste signo. O fogo faz parte da minha personalidade, ele tem o poder de aquecer, porém em excesso destrói. Devo conciliar minhas qualidades às minhas deficiências e conseguir me adaptar perante as situações que a vida oferece. Será o pulo do gato à meu sucesso pessoal.

terça-feira, 3 de junho de 2008

de (re)acreditar-se...

Cinco anos em catarse, quixotesca forma de me (re)inventar. Há anos sou uma grande piada. Sem coragem pra arregaçar as mangas e emagrecer. Sem reputação de mim mesma, auto-comiserativa, burra, empacada. Presa num corpo que não é meu, que não sou eu, que nunca se misturou a mim de verdade. Vazia e cheia de mim. De saco cheio, saturada, impregnada, na lata, até a tampa de mim. Estática. Sem cor. Até então separada por uma linha tênue: a do desleixo e a do resgate, mas a segunda me salva do abismo, me estende a mão. E na contramão de minha forma de viver enxergo ao longe uma luz flutuando no fim do túnel; ainda densa, porém já consigo decodificá-la. Aos poucos ela me encandeia, mas seu brilho me atrai. Parece uma força maior. Que me puxa e me quer. É a luz da esperança que me segura no colo e acaricia minha autoestima. Então fico sonhando com o cansaço da subida, mas principalmente com o repouso do cansaço, e com um mundo novo repleto de novas possibilidades. Daí planejo. Vejo portas se abrindo. Sinto o vento entrando e os raios claros do dia nascendo. E moinhos de vento. O objetivo se achegando. O foco na reta se aproximando. Então chove em mim. Chove para mim. São lágrimas de renovação. É o ciclo de mim. Estou mais segura, terapiada na dor, mas também na alegria. Confiante, persigo meus passos. Não os perco de vista. Lá estou e vou eu... seguindo adiante na vigília constante de mim. Laçando o professor tempo com laços da fé, são laços apertados, cada dia devagar, um após o outro. Serena... segurando-me no colo e desta vez sem desistir. Dando-me crédito outra vez. Em busca do meu ajuste de contas. Agora sou eu comigo. Na tarefa árdua de cumprir os atos que ora faço. Prometo-me. Enfim. Juro-me.

Eu

Simplesmente Selena